segunda-feira, 04 de julho de 2022

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Marcadores do pensamento mundial

Por Léo Rosa de Andrade

Ao se procurar pelas melhores universidades do Planeta (sim, temos 11 listadas entre elas – https://bit.ly/2kvytel), destacadas sobretudo pela robustez da produção acadêmica, sempre se encontrará, dentre as primeiras colocadas nos tantos rankings publicados, o Massachussetts Institute of Technology, conhecido mundialmente como MIT. Se as outorgas de prêmio Nobel indicam relevância em publicação, é de se saber que 78 professores do MIT já foram agraciados com ele. As pesquisas publicadas pelo Instituto, por essa e por tantas outras referências, têm, pois, credibilidade.

Bem, o laboratório de mídias do MIT esquadrinhou a História, mapeando a produção intelectual registrada no Planeta, intentando nomear as maiores influências da cultura universal. “O projeto Pantheon coletou e analisou dados do mundo todo de 4.000 a.C. até 2010. Devido à diversidade da área, o projeto estará sempre inacabado. O Pantheon foi construído a partir de dados coletados na Wikipedia e na Freebase e de um livro sobre artistas e cientistas que mais contribuíram para a humanidade de 800 a.C. até 1950” (FSP, 15mar14, editado).

Compulsando-se as páginas do Pantheon (pantheon.media.mit.edu/) encontram-se informações bastantes interessantes. Destaco e comento algumas. Entre os 10 principais influentes de todos os tempos, seis são gregos, quer dizer, a solidez do pensamento de filósofos que viveram há cerca de 25 séculos permanece inabalável. Entre os 20 primeiros, há seis italianos, e eles são da antiga Roma ou do Renascimento (que revivia o pensamento da antiga Grécia e da antiga Roma), mostrando o quanto a Tradição Ocidental deve ao helenismo.

Para quem não gosta de filosofia, despreza políticos e desconhece literatura, é relevante saber que entre os 100 mais destacados há 23 políticos, 16 filósofos e 14 escritores, o que indica a atualidade e o valor de seus temas. Já para os religiosos, a notícia recomenda humildade, pois Jesus Cristo fica em terceiro lugar, perdendo em importância para Aristóteles e Platão. Aliás, na primeira centena apenas 11 líderes religiosos estão listados, o que relativiza bastante a pretensão de “condutores da verdade” que os crentes supõem ser sua missão.

Quando se analisa o país de nascimento, se sobressaem os Estados Unidos da América. A União Europeia oferece a maior contribuição entre os 10 primeiros, com intelectuais de oito países. O Brasil está em posição proeminente, ficando na 15ª posição. Pode-se perceber, contudo, relativamente à origem das pessoas destacadas, que cinco países concentram mais da metade do total delas, o que explica muita coisa sobre mentalidade, poder, riqueza e influência.

Ao se verificar a contribuição das mulheres, podem-se relevar alguns dados e tirar algumas conclusões, o que faço com certa insegurança, pois não vejo uniformidade nas informações. Na média, contudo, os países que combinam mais liberalismo e menos incidência religiosa no governo têm mais mulheres listadas. Os EUA, por exemplo, apresentam 24,04% de mulheres; a Austrália, 32,09%. Já Cuba exibe 6,67%; os Emirados Árabes, 0,0%.

Relaciono os nomes que compõem a equipe responsável pelo projeto, para que se tenha a devida noção da multiplicidade de nacionalidades que habita o MIT (e as melhores universidades norte-americanas), o que é indicativo da tolerância vigente em ambiente educado, ou, pelo menos, no ambiente educado dessa Universidade: César Hidalgo, Amy Zhao Yu, Kevin Zeng Hu, Ali Almossawi, Shahar Ronen, Deepak Jagdish, Andrew Mao, Defne Gurel, Tiffany Lu. Três mulheres, seis homens, todos muito jovens, nenhum sobrenome estadunidense típico.

Um lugar vário em etnias, gêneros e culturas. Pluralidade de mentalidades reunidas em um centro universitário genial e refratário a preconceitos, para se estudar, compreender e influenciar nossas circunstâncias. Apesar dos desastres causados por atrasos machistas, religiosos e étnicos, há quem esteja fazendo por melhorar a civilização. Em tempos de espantalhos negacionistas, reparto essa notícia na contramão de quem está convencido de que “o mundo está cada vez pior”. Parece que não está.

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