quinta-feira, 17 de outubro de 2019

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Em dia de liquidez fraca, juros fecham com viés de alta

O sinal de alta dos juros futuros, que já não era muito forte pela manhã desta terça-feira, ficou ainda mais apagado durante a tarde, na medida em que o dólar perdeu força ante o real, voltando a ficar abaixo dos R$ 4,10. No fechamento da sessão regular, as taxas estavam praticamente de lado. A exemplo de segunda, a terça-feira foi mais um dia fraco, com pouca oscilação de taxas e liquidez muito reduzida, reflexo, por sua vez, da agenda e noticiários sem destaques. Os investidores preferem aguardar os próximos dias, quando saem a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e dados de atividade domésticos, para definir suas posições.

No fechamento da sessão regular, as taxas estavam longe das máximas vistas pela manhã. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a 5,35%, de 5,338% segunda no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 6,421% para 6,45%. A do DI para janeiro de 2025 terminou em 7,01%, de 6,891% no ajuste anterior.

Pela manhã, o aumento do dólar a até perto de R$ 4,13 ajudou a pressionar as taxas, em meio ainda ao novo avanço no rendimento dos Treasuries. À tarde, o dólar inverteu o sinal e passou a cair para encerrar abaixo dos R$ 4,10, o que enfraqueceu o viés de alta dos DIs, embora os yields dos Treasuries tenham, ao contrário, ampliado a alta e renovado máximas na etapa vespertina. Após a inversão da curva das T-Notes de 2 e 10 anos no fim de agosto, as taxas voltaram à “normalidade” nos últimos dias, com alguma margem de folga no diferencial.

Para o trader da Sicredi Asset Danilo Alencar, o mercado precisa de fatos novos para definir uma tendência e talvez voltar a testar as mínimas históricas. “Hoje (terça) foi muito sem emoção”, disse. Esses motores podem aparecer nos próximos dias, quando a agenda começa a esquentar. Do BCE, se espera anúncio de novo programa de recompra de ativos e ao longo da semana no Brasil saem os dados de varejo, serviços e o IBC-Br, todos de julho. Esses indicadores servirão para medir o pulso da economia, após a decepção trazida pela queda da produção industrial daquele mês.

Por ora, a percepção é de que a atividade parou de piorar mas está estagnada, sem tração de investimentos e do consumo. Essa avaliação, juntamente com a perspectiva de desaceleração da economia global, sustenta apostas de queda da Selic neste e nos próximos meses. Para o Copom de setembro, a precificação da curva aponta 76% de chance de um novo corte de 0,50 ponto porcentual, para 5,5%, segundo a Quantitas Asset. “O mundo inteiro cresce menos hoje, não tem muita alternativa a não ser política monetária mais estimulativa e talvez até ajuda da política fiscal”, disse Artur Schneider, responsável pela área de renda fixa da Monte Bravo.

Autor: Denise Abarca
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