sábado, 15 de dezembro de 2018

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Morre o homem, mas fica a fama

Faleceu aos 78 anos de idade, em Brasília, na manhã da terça-feira (18/09/2018), o presidente da Fundação “Casa do Penedo”, maçom, escritor, historiador, cronista, bibliófilo e médico psiquiatra Dr. Francisco Alberto Salles, vítima de um câncer agressivo que o incomodou por vários anos.

O penedense Dr. Francisco Sales, como era mais conhecido na região ribeirinha por seus serviços prestados ao município, residia na Capital Federal, onde exerceu sua profissão de médico, mas nunca deixou de manter seus contatos com sua terra natal. Foi criador da Fundação da “Casa do Penedo” (inaugurada em 1992). Era membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL) e da Academia Alagoana de Letras (AAL). Escreveu obras, cujos títulos identificam sua personalidade eclética, voltada ao jornalismo, à política e a literatura: Arruando Para o Forte (2003), Elysio de Carvalho (2000), Penedo, Fundação Casa do Penedo, Grafites na Pedra e Minhas Alagoas São Outras.

Foi agraciado com inúmeras comendas, dentre as quais, uma que foi oferecida pelo IPHAN para homenagear Personalidades da Cultura Nacional. Tanto escrevia como era apaixonado por livros raros. Francisco Alberto Sales detinha em seu acervo literário a preciosa obra ilustrada – “História dos Efeitos recentemente praticados no Brasil Holandês”, de Caspar Barlaeus. Este livro foi publicado em Amsterdam Holanda (1637). Francisco Sales comungava do mesmo pensamento de José Ephim Mindlim (Ucrânia, 1914 – São Paulo, 2010), outro renomado bibliófilo que costumava dizer: “Os homens passam, mas os livros ficam”.

Dr. Francisco Alberto Sales estudou em Penedo e em Maceió, mas concluiu seu Curso Superior na capital alagoana, na primeira turma de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), especializando-se em psiquiatria. Porém, trabalhou em Brasília durante muitos anos, dividindo seu tempo entre a capital federal e o município ribeirinho de Penedo em Alagoas.

Disse-nos o Dr. Délio Almeida, ex-deputado estadual: “tive o prazer de conhecer o Dr. Sales em 1981 em Brasília. Ele morava no Park Wey e era tanto apaixonado por Penedo que mandou buscar em uma carreta uma enorme rocha da margem do Rio São Francisco, que foi levado para Brasília pelo Deputado Federal Oseias Cardoso, seu padrinho de casamento, e que abriu as portas para ele em Brasília, segundo o próprio Dr. Sales me contou. Ele era dono de uma das mansões mais bonitas de Brasília e um Hospital Psiquiátrico. Ajudava muito os médicos de Alagoas que chegavam a Brasília. Grande perda do nosso irmão”.
Francisco Sales nasceu na cidade de Penedo em 19/11/1939, sendo filho do comerciante e maestro Jonas Sales e de Dona Balbina Sales. Ele foi o caçula dos nove filhos do casal. Era casado com Gleide Satyro Sales e pai de Ernani, Guilherme e Monica, filhos que lhe deram netos. Um dos seus sobrinhos, o cineasta Werner Salles, assim se expressou na Imprensa Digital: “Fez a vida dele em Brasília, como médico psiquiatra. Estava aposentado e acalentava o sonho da Fundação Casa do Penedo, dedicando grande parte do seu tempo em transformar a cidade, através da memória e da cultura”. Por sinal, a Fundação “Casa do Penedo” está localizada na antiga residência em que ele morou com seus pais e seus irmãos na Rua João Pessoa, número 126, no Centro Histórico do município de Penedo.
Por ser uma pessoa obstinada, persistente e determinada na consecução dos seus objetivos, Dr. Francisco Salles, que tinha o sonho de ver o Chalé dos Loureiros recuperado e transformado no Museu do São Francisco, comprou com recursos próprios o Prédio da Família dos Loureiros para instalar a Miscelânea do Baixo São Francisco alagoano, cujo acervo também foi adquirido por ele, com a ajuda de doações de penedenses. Mas, a restauração do Chalé contou com investimentos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através do PAC Cidades Históricas, totalizando 2,7 milhões de reais, e com projeto elaborado pela Prefeitura de Penedo. Dr. Francisco Sales faleceu três (3) dias depois de esta obra ser entregue à população penedense, totalmente restaurada. O seu velório e seu sepultamento aconteceram no Cemitério Campo da Boa Esperança, em Brasília, no dia seguinte ao do seu falecimento… Contudo, não haveremos de esquecer-se do Provérbio Português: “Morre o homem, mas fica a fama”… Pensemos nisso! Por hoje é só.

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