quinta-feira, 21 de novembro de 2019

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Sábado de Zé Pereira: mistérios sobre o dono do sábado de Carnaval

Por Redação (Com fontes diversas)
O sábado de Carnaval é dedicado a Zé Pereira (Foto: carnaval.uol.com.br)

O sábado de Carnaval é dedicado a Zé Pereira (Foto: carnaval.uol.com.br)

Em 1848 surgiu o Zé Pereira. Apesar de alguns autores o considerarem de origem relativamente incerta, há quem afirme que este personagem foi o cidadão português José Nogueira de Azevedo Paredes, um sapateiro que decidiu sair à rua durante os dias de folia tocando um bombo (hoje conhecido como surdo). Extinto no começo do século XX, o Zé Pereira teve como sucessores as cuícas, os tamborins, os pandeiros, as frigideiras e etc. e até quem diga que através desta manifestação surgiram os blocos de rua, já que o povo o acompanhava por onde ele passasse.

No livro As Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Segunda Edição – Lumiar – 1996) do jornalista e pesquisador Sérgio Cabral em que ele fala dos zé-pereira:

“Brincava-se o carnaval, no século XIX, também como zé-pereira, o nome adotado para os foliões que percorriam as ruas da cidade dando pancadas em enormes tambores e produzindo decibéis em níveis extremamente elevados para os padrões da época. O zé-pereira poderia ser representado por um folião solitário e também por grupos de carnavalescos, todos com os seus tambores, desfilando pelas ruas e visitando as redações dos jornais, como era o hábito dos foliões que se julgavam merecedores de aparecer na imprensa. O historiador Vieira da Fazenda, autor de Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro, foi o único a mencionar as origens do zé-pereira. Para ele, o primeiro deles foi um cidadão português chamado José Nogueira de Azevedo Paredes, sobre o qual traça um perfil minucioso. Só não informou a razão pela qual a folia criada por ele ganhou o nome de zé-pereira e não de zé-nogueira.”

Uma estudante do curso de Ciências Sociais, Mariela F. da Silveira, em Santa Catarina, no Paraná,  foi mais longe e estudou a fundo o personagem carnavalesco em um Trabalho de Consclusão de Curso (TCC).

Segundo ela, a origem do Zé Pereira é cercada de lendas e episódios pitorescos. Nos relatos encontrados dá para observar a recorrência de alguns fatos que levam a crer que sua origem é portuguesa e que sua prática no Brasil vem desde os tempos do império. Segundo o “Dicionário do Folclore Brasileiro”, de Luiz da Câmara Cascudo, Zé Pereira é uma “cantiga acompanhada por bumbos, entoada na véspera do carnaval, anunciando a festa popular e também cantada durante os três dias tradicionais”.

É conhecida no Brasil desde meados do século XIX. “Diz-se Zé Pereira ao bombo e ao conjunto dos foliões que o canta. É de origem portuguesa, popular no norte de Portugal e Beiras, com o mesmo nome quanto ao grupo de bombos que atroa alegre e ferozmente, não apenas no carnaval, mas nas épocas de festas e romarias” (CASCUDO, 1969, p. 799).

Há divergências em relação à origem do Zé Pereira como aborda Ferreira (2005). Em seu Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro, ele resgata algumas das versões existentes sobre o surgimento da festa: Em seu livro ‘História do Carnaval Carioca’, Eneida de Moraes informa que o Zé Pereira teria aparecido nas ruas do Rio de Janeiro em 1846. Luiz Edmundo, em ‘O Rio de Janeiro do Meu Tempo’, fornece a data de 1852. Hiram Araújo citas os anos de 1846, 1848 e 1850 em seu livro ‘Carnaval: Seis Milênios de História.’. (p. 209).

Segundo Ferreira, todos os autores citados a cima, afirmam que a brincadeira teria começando quando José Nogueira de Azevedo Paredes, a quem se atribui à introdução do Zé Pereira no Brasil, decidiu desfilar pelas ruas do Rio de Janeiro, nos dias de carnaval, batendo bumbo. Ele ainda diz que há registros nos jornais cariocas desde a década de 1860: Segundo Cascudo (1969), Esse é o parágrafo “inicial e clássico”, do Zé Pereira no Brasil.  Umas das coisas mais características do nosso carnaval é o chamado José Pereira. A cousa não é feia, é mesmo muito bonita, muito barata: Uma Zabumba, alguns tambores, e daí nasce uma doce harmonia que encanta os ouvidos, não mói a paciência do próximo, e atrai o sufrágio dos moleques. (Semana Ilustrada, 18 de fevereiro de 1866, apud Ferreira, 2005, p. 209).

O historiador José Vieira Fazenda fez um relato na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sobre a origem do Zé Pereira. Segundo ele, em 1846 José Nogueira de Azevedo Paredes, “modesto artista sapateiro, pacato burguês, amigo do filho de Pedro (o Imperador)” introduziu o chamado Zé Pereira. Em uma segunda-feira de carnaval, em “amistosa palestra com alguns patrícios, recordando-se das romarias, das estúrdias e estrondos da vida natal, resolveu de súbito com eles sair à rua e ao som de zabumbas e tambores” ir passeando pelas ruas da cidade.

O sucesso teria sido grande, tanto que quando voltaram aos seus lares já amanhecia. No Ano seguinte, diz Fazenda, “apareceram os imitadores, mas nenhum deles levou de vencida o primacial Zé Pereira do Paredes, que se distinguia ao longo pela certeza das pancadas no bombo e pelo ritmo dos tambores”. Quanto à origem do nome, dizem que em algumas localidades de Portugal o bombo é conhecido por Zé Pereira; “querem outros, e isto é o mais provável, que na primeira noitada de bom sucesso e influenciados pela vinhaça, os foliões trocavam o nome do chefe e gritavam vivas ao Zé Pereira em vez de Zé Nogueira”. (FAZENDA, 1920, p.291-296).

“Se a história narrada por Cascudo, Ferreira e Fazenda é verdadeira, não se sabe, e nem é nosso intuito desvendar tal “verdade”, o que sabemos é que as histórias que giram em torno do surgimento do Zé Pereira no Brasil deixam margem para muitas interpelações e dúvidas, fazendo parte do imaginário popular do país”, explicou a estudante.

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