Vida e Saúde
Cientistas ainda não conseguem explicar experiências de quase morte
Estudo internacional aponta limitações em modelo neurofisiológico para os episódios
As experiências de quase morte (EQM) continuam a desafiar a ciência, a medicina e a compreensão humana. Relatadas por pessoas que estiveram próximas da morte, essas vivências costumam ser intensas e transformadoras. Pesquisas indicam que entre 4% e 8% da população já passou por uma EQM.
Recentemente, uma equipe internacional de pesquisadores buscou desvendar a base neurofisiológica desses episódios, mas não conseguiu formular um modelo que explique satisfatoriamente as experiências de quase morte.
O grupo, denominado Teoria Neurofisiológica Evolutiva Psicológica para a Compreensão da Experiência de Quase Morte (NEPTUNE, na sigla em inglês), tentou trazer rigor científico ao fenômeno. No entanto, segundo Bruce Greyson e Marieta Pehlivanova, pesquisadores da Universidade da Virgínia (UVA), o modelo NEPTUNE, apesar de inovador, ainda deixa muitas questões sem resposta. O artigo dos especialistas foi publicado na revista científica Psychology of Consciousness: Theory, Research and Practice.
"O modelo NEPTUNE foi uma tentativa pioneira de explicar as EQMs, mas ignorou seletivamente evidências científicas contrárias e não abordou aspectos importantes e definidores dessas experiências", afirmou Greyson, da Divisão de Estudos Perceptivos da Faculdade de Medicina da UVA, em nota oficial.
Limites do modelo NEPTUNE
Greyson e Pehlivanova destacam que o modelo NEPTUNE não explica diversas características das EQMs. Os pesquisadores do NEPTUNE sugerem que as "alucinações" de quase morte seriam causadas por alterações químicas ou elétricas no cérebro, como mudanças nos gases sanguíneos ou ação de endorfinas.
No entanto, os críticos apontam que alucinações neurológicas costumam envolver apenas um sentido, como audição ou visão, enquanto as EQMs frequentemente englobam múltiplos sentidos e experiências profundas, como encontros vívidos com entes queridos — inclusive pessoas desconhecidas — e memórias duradouras, diferentemente das alucinações comuns, que são logo esquecidas.
O modelo NEPTUNE também tenta explicar as chamadas experiências fora do corpo, relatadas em EQMs, como resultado da ativação da junção temporoparietal (JTP) do cérebro. Porém, segundo Greyson e Pehlivanova, as experiências observadas em estudos com essa região cerebral diferem das EQMs, pois não há relatos de percepção visual do próprio corpo ou sensação de movimento independente do corpo físico.
Além disso, pesquisas com estimulação elétrica da JTP provocaram alucinações visuais, mas não levaram os participantes a acreditarem que haviam deixado seus corpos. "Não há evidências de que a estimulação cerebral produza percepções precisas de algo não visível aos olhos físicos, ou que persista com os olhos fechados, ou que seja de uma perspectiva extracorporal — todas características presentes nas experiências fora do corpo espontâneas", escreveram os pesquisadores.
Desafios e perspectivas
Apesar das críticas, Greyson e Pehlivanova reconhecem o esforço dos desenvolvedores do modelo NEPTUNE, mas ressaltam que a falta de dados empíricos e outras limitações reduzem a confiança no modelo como explicação abrangente para as EQMs.
Em resumo, a neurofisiologia ainda não consegue explicar plenamente as experiências de quase morte, segundo os pesquisadores. Eles defendem a continuidade dos estudos e uma postura aberta diante do fenômeno.
"As EQMs geralmente são desencadeadas por eventos fisiológicos, então é importante investigar essas conexões e buscar relações de causa e efeito. Mas esse campo de pesquisa está apenas começando, e precisamos manter a mente aberta", afirma Greyson. "Entender as EQMs pode abrir portas para questões mais amplas sobre consciência e cérebro. Esperamos que aprofundar o estudo das EQMs nos leve a compreender não só seus gatilhos, mas também seu significado e a fronteira entre vida e morte."
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