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Bombeiros civis do Shopping Tijuca relatam problemas recorrentes em loja onde ocorreu incêndio
Em depoimento à polícia, os três bombeiros civis que sobreviveram contaram que a loja Bell'Art era vistoriada todo mês e que as "não-conformidades nunca eram sanadas"
A Polícia Civil ouviu, na tarde desta quinta-feira, três bombeiros civis que integravam a equipe de brigadistas do Shopping Tijuca. Eles atuaram ao lado de Emellyn Silva Aguiar Menezes e do supervisor de segurança Anderson Aguiar, ambos mortos durante o combate ao incêndio. Segundo os sobreviventes, a loja Bell’Art, onde o incêndio teve início, apresentava problemas constantes que nunca eram resolvidos. Os brigadistas relataram ainda que os riscos identificados em vistoria realizada dias antes da tragédia não foram sanados e que o local permanecia com caixas empilhadas até o teto.
Relatos sobre vistorias e falhas recorrentes
Em depoimento, o brigadista Michael Oberdan Ramos Ribeiro afirmou que as vistorias nas lojas eram realizadas mensalmente, e os estabelecimentos tinham 15 dias para se adequar às irregularidades apontadas. Após esse prazo, a chefia de segurança do Shopping Tijuca fazia uma nova checagem para verificar se as correções haviam sido feitas. Segundo Michael, as “não conformidades da Bell’Art nunca eram sanadas, porque os mesmos problemas eram encontrados nas visitas seguintes”.
O brigadista também relatou que Anderson Prado, supervisor do shopping falecido no incêndio, comentava que “tinham o poder de fechar os estabelecimentos, mas nada era feito quanto à Bell’Art”. Segundo ele, outros restaurantes do shopping já haviam sido interditados por não solucionarem as pendências identificadas nas vistorias.
Michael Oberdan ainda destacou que o detector de fumaça e as luzes de emergência não funcionaram durante o incêndio. Questionado sobre os treinamentos, informou que ministrava capacitações à sua equipe, mas que não eram convidados pelo Shopping Tijuca para participar dos treinamentos operacionais da equipe de segurança.
Problemas persistentes e estoque irregular
Outra brigadista relatou à polícia que, embora não tenha participado da última vistoria na loja, realizada em 27 de dezembro do ano passado, recorda-se do alerta feito por Anderson Prado após o procedimento. Segundo ela, Anderson informou sobre defeitos nos detectores e recomendou que, em caso de novo chamado, “o bombeiro próximo à base deveria se equipar, enquanto o bombeiro próximo ao mall verificaria a ocorrência”. Ela reforçou que a loja apresentava “sempre os mesmos problemas”.
Os brigadistas também afirmaram que, no dia do incêndio, a loja estava exatamente como na última vistoria, com mercadorias em quantidade suficiente para obstruir os sprinklers. Michael Oberdan relatou à polícia que havia estoque e travesseiros armazenados na casa de máquinas, além de caixas de papelão “abarrotando os corredores”.
Essas irregularidades haviam sido apontadas em relatório de vistoria datado de 27 de dezembro, apenas seis dias antes do incêndio. O documento, que continha fotos e descrições detalhadas, alertava para a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos estocados acima da altura permitida dos bicos do sistema de sprinklers.
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