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Duas semanas após incêndio que deixou dois funcionários mortos, Shopping Tijuca reabre
Retomada veio marcada por cheiro de fumaça, tensões e a lembrança dos dois brigadistas mortos no incêndio do subsolo
O Shopping Tijuca reabriu as portas por volta das 10h desta sexta-feira, mas a retomada veio marcada por cheiro de fumaça, tensões e a lembrança dos dois funcionários mortos no incêndio do subsolo, há duas semanas. Na entrada lateral, o odor de fumaça se anuncia. A administração tentou suavizar o cheiro com um difusor aromático instalado nas portas automáticas. Na quinta-feira, a administração do centro comercial havia anunciado que o retorno seria gradual e facultativo, porque o subsolo e parte do primeiro piso, onde ficam 14 lojas, continuam interditados pela Defesa Civil.
'Agora, estou sem trabalhar':
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Às 9h, funcionários da praça de alimentação e de outros estabelecimentos não afetados estruturalmente começaram a chegar. O clima era de tensão. Muitos ainda se sentem inseguros.
— Viemos trabalhar porque temos que trabalhar, mas agora temos medo de algo parecido acontecer e não termos como escapar, assim como os dois que morreram. Podia ser um de nós — disse uma funcionária da praça de alimentação que preferiu não se identificar.
Enquanto as portas ainda não abriam totalmente, equipes de limpeza trabalhavam para amenizar o cheiro de fumaça, que insiste em ficar.
Interdição parcial e condição para liberação total
O Corpo de Bombeiros informou que o subsolo e parte do térreo permanecem interditados, por terem sido os locais mais diretamente impactados pelo incêndio. Lá foram constatados danos relevantes aos sistemas de combate a incêndio, incluindo hidrantes e chuveiros automáticos, além de comprometimento de elementos estruturais da edificação.
A Defesa Civil enfatizou que a liberação total do Shopping Tijuca depende da completa recuperação dessas áreas, com recomposição e funcionamento pleno dos sistemas de segurança contra incêndio e pânico, além da eliminação integral das condições de risco identificadas. O prazo para desinterdição dependerá exclusivamente do andamento e conclusão das obras de reparo e recuperação, segundo informou a administração do shopping.
O subprefeito da Grande Tijuca, Higor Gomes, também esteve presente para acompanhar a abertura.
Em nota, a administração do shopping informou que "a retomada das operações não diminui a profunda consternação pela perda de nossos queridos colaboradores Emellyn e Anderson; eles jamais serão esquecidos. Seguimos colaborando com as autoridades e agradecemos, de forma especial, ao Corpo de Bombeiros pela extraordinária e incansável dedicação, assim como aos demais órgãos envolvidos".
A sala quente no 15º andar
Um funcionário da faculdade Estácio, que fica no 15º andar da torre 2, aguardava para retomar os trabalhos. A sala, segundo ele, talvez não possa funcionar ainda, porque, mesmo estando no 15º andar, estava extremamente quente e suja.
— Não sei se vamos conseguir trabalhar hoje. A sala está muito quente, não vai dar para ficar. Parece que eles ainda estão limpando — disse Adriano Santiago, um dos coordenadores do polo da Estácio no Shopping Tijuca.
'Ela já me socorreu várias vezes'
Uma funcionária da praça de alimentação do shopping chegou para trabalhar por volta das 8h desta sexta. Ela era amiga da brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes e preferiu não se identificar. Ainda abalada, ela contou que conviveu com Emellyn por cerca de dois anos e que a relação entre as duas ultrapassou o ambiente profissional.
— A Emillyn era uma pessoa que, para ela, não tinha tempo ruim, nem dia ruim. Tudo era maravilhoso, estava sempre bom — relembrou.
Segundo a funcionária, as duas se aproximaram durante o dia a dia de trabalho no shopping. Em pelo menos duas ocasiões, ela passou mal no restaurante e foi atendida pela brigadista.
— Teve duas vezes em que passei mal no restaurante, e ela me atendeu, me deu água, me acalmou. E a gente acabou estendendo essa amizade aqui para fora também. Quando eu saía, ela me via, me dava bom dia, perguntava como eu estava. Era uma pessoa muito querida. Vai fazer muita falta — contou.
Perícia e investigação
A perícia da Polícia Civil deverá esclarecer a origem do incêndio. Investigadores seguem ouvindo testemunhas e apurando se os protocolos de segurança foram cumpridos, se houve demora no acionamento do Corpo de Bombeiros e se o plano de evacuação foi seguido corretamente.
A investigação também analisa se o shopping, como administrador do espaço, poderia ter adotado outras medidas diante de riscos já identificados em uma vistoria de rotina feita dias antes do incêndio. O relatório dessa inspeção apontava a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos armazenados acima da altura permitida dos sprinklers. O documento foi elaborado no dia 27 de dezembro pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado e pela brigadista Emellyn Silva Aguiar, ambos mortos no incêndio.
O incêndio
O fogo atingiu o Shopping Tijuca no início da noite do dia 2 deste mês. Segundo o Corpo de Bombeiros, os quartéis da Tijuca e de Vila Isabel foram acionados às 18h28 para combater as chamas, que teriam começado em uma loja de decoração. No início da madrugada, foi confirmada a morte de duas pessoas.
Anderson Aguiar do Prado, supervisor de brigadistas, chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar. Emellyn Silva Aguiar Menezes foi retirada do local durante a madrugada, sem sinais de queimaduras; a principal hipótese é de que a morte tenha ocorrido por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.
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