Poder e Governo
Deputada denuncia Nikolas ao MPF por declarações sobre o Pix: 'Espalha mentiras para causar pânico'
Parlamentar mineiro publicou um vídeo em que voltou a afirmar que mecanismo de pagamento será 'monitorado', o que já foi negado pela Receita Federal
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou, nesta quinta-feira, que irá denunciar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao Ministério Público Federal por conta de suas. Na noite de terça-feira, o parlamentar voltou a utilizar as redes sociais para dizer que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá "monitorar" as movimentações financeiras feitas por meio do mecanismo. Para Erika, as falas de Nikolas "espalham mentiras sobre o Pix para causar pânico", além de prejudicar o combate ao crime organizado — argumento também utilizado pela Receita Federal.
Entenda:
Genial/Quaest:
"Estou denunciando o deputado Nikolas Ferreira ao Ministério Público Federal por, novamente, espalhar mentiras sobre o Pix para causar pânico, ao mesmo tempo que cria uma narrativa que beneficia o crime organizado", publicou a deputada nas redes sociais.
A parlamentar argumenta que Nikolas teria cometido crimes previstos na Lei n° 7.492, que dispõe sobre os delitos contra o sistema financeiro nacional. A legislação estabelece, dentre outras coisas, pena de dois a seis anos de reclusão por divulgação de "informação falsa ou prejudicialmente incompleta" no âmbito econômica.
"Não, a Receita Federal não colocará todo mundo na malha fina, o Pix não será fiscalizado para aumentar a taxação sobre os trabalhadores informais e pequenos empreendedores, e muito menos taxado", completou.
Entenda o caso
No vídeo, Nikolas se referiu à instrução normativa publicada pela Receita Federal em agosto do ano passado, que voltou a equiparar fintechs e instituições de pagamento às instituições financeiras tradicionais, exigindo o envio de informações sobre certas transações.
A publicação ocorreu e motivar uma onda de notícias falsas nas redes sociais, que afirmavam que a intenção do Planalto seria, na verdade, taxar as transações.
A mesma normativa passou a valer em janeiro de 2025, mas foi revogada após o desgaste. Desta vez, o parlamentar ressaltou que não haverá tributação, mas insinuou que o suposto monitoramento fará com que "feirantes, manicures, motoboys e ambulantes" possam pagar imposto caso a movimentação não coincida com os valores declarados.
A norma foi retomada pela Receita em agosto, mês em que diversos desdobramentos de operações policiais pelo país — como , Quasar e Tank — atestaram que facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizam fintechs para lavagem de dinheiro. Àquela altura, o órgão destacou que, com a revogação, elas não possuíam "as mesmas obrigações de transparência e de fornecimento de informações", o que fez o crime organizado "aproveitar essa brecha para movimentar, ocultar e lavar seu dinheiro sujo".
Após uma dessas operações, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, chegou a afirmar que as "mentiras envolvendo o Pix" no início do ano passado impediram que o governo fiscalizasse as empresas investigadas, que teriam se tornado um dos "principais braços financeiros do PCC". O comentário foi repercutido pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, . Na mesma semana, Lula também disse que “um deputado” fez campanhas que ajudaram o crime, .
No fim de dezembro, a Receita divulgou uma nota pública para desmentir fake news "que têm o objetivo de enganar as pessoas" , mas sem citá-lo. Na postagem replicada pelo deputado, publicada originalmente por um perfil bolsonarista, foi veiculada a informação de que o governo iria implementar uma tarifa de 27,5% aos trabalhadores que movimentarem mais de R$ 5 mil por mês a partir de 2026. Segundo a Receita, no entanto, essa tributação não é real e a afirmação "é completamente falsa".
'Receita não monitora transações'
No primeiro artigo da nova instrução normativa, é descrito que ela "estabelece medidas para o combate aos crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes".
Na prática, mas de forma "mais didática", ela volta a estabelecer que a Receita vai receber informações sobre operações que somarem mais de R$ 5 mil por mês, conforme outra norma em vigor desde 2015, que já se aplica aos bancos tradicionais. As instituições financeiras irão somar as movimentações e, se o total ultrapassar esse valor, os dados serão repassados à Receita semestralmente.
Em outubro, após outra onda de informações falsas sobre tributação, a Receita ressaltou em nota pública que "não monitora transações feitas por Pix ou por qualquer outro meio de pagamento". O órgão alegou que sequer tem conhecimento sobre as modalidades das transações feitas a partir do que foi repassado, já que as informações não permitem acessar os valores de movimentações individuais e nem identificar a origem ou a natureza dos gastos efetuados — o que não configuraria "monitoramento".
A Receita Federal , nesta quarta-feira, esclarecendo que não há tributação nem monitoramento de movimentações financeiras via PIX. De acordo com o órgão, "são completamente falsas as informações sobre monitoramento de movimentações financeiras via PIX para fins de tributação".
O que diz Nikolas?
O vídeo publicado pelo parlamentar — com a estética característica das gravações anteriores, utilizando camiseta preta e com fundo neutro —, até a tarde desta quinta-feira, já conta com cerca de 60,5 milhões de visualizações no Instagram.
— Você que é feirante, manicure, motoboy, ambulante e autônomo, se você movimentar mais de R$ 5 mil por mês pelo Pix e isso não bater com o que você declarou no Imposto de Renda, a Receita vai saber. E você pode cair na malha fina, ser chamado, ter que explicar e pagar imposto que você nunca imaginou pagar. E não porque você virou criminoso, mas porque o Estado passou a olhar para o seu Pix como se fosse um dinheiro suspeito — alegou Nikolas.
Ainda para o parlamentar, apesar de não haver tributação, a medida indica que "a liberdade pode ser tirada".
— Quando milhões de brasileiros reagiram, eles recuaram. Agora, com o povo distraído, fizeram de novo. A liberdade não acaba de uma vez, ela vai sendo tirada aos poucos por portaria, instrução normativa, "ajuste técnico". Até o dia que governo souber mais do seu dinheiro do que você mesmo, e aí pode ser tarde demais — insinuou o deputado.
A postagem do ano passado, por sua vez, , 13 vezes mais alcance que a base de Lula conseguiu quando tentou reagir.
— O governo Lula vai monitorar seus gastos. Não, o Pix não será taxado. Mas é sempre bom lembrar… a comprinha da China não seria taxada, mas foi. Não ia ter sigilo, mas teve. Você ia ser isento do imposto de renda, não vai (governo sancionou lei de isenção posteriormente). O Pix não será taxado, mas não duvido que possa sim — afirmou o bolsonarista à época.
Mais lidas
-
1ALERTA NA ORLA | MACEIÓ
Alerta vermelho em Maceió: engenheiro diz que Ponta Verde pode estar afundando; vídeo
-
2MUDANÇA TRIBUTÁRIA
Emissão de NFS-e e ISSQN será feita exclusivamente pelo site do Governo Federal a partir de 2026
-
3DIREITOS TRABALHISTAS
Quando é o quinto dia útil de janeiro de 2026? Veja as datas de pagamento
-
4JUSTIÇA
Polícia do Paraguai entrega Silvinei Vasques à Polícia Federal
-
5DOIDONA
Caras, bocas e performance inusitada de Ivete Sangalo ainda repercutem do show no fim de semana