Poder e Governo
Malafaia volta a criticar Damares por divulgar lista de igrejas investigadas na CPMI do INSS: 'Proveito político'
Pastor já havia chamado senadora de 'linguaruda' por 'não dar nomes' ao expor ligação de religiosos com o esquema; nomes foram publicados após cobrança do religioso
O pastor , líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a senadora (Republicanos-DF), nesta quinta-feira, após a parlamentar . Ele acusa Damares de querer tirar "proveito político" da situação, além de avaliar não haver "grandes igrejas" envolvidas, conforme a senadora havia dito. No último domingo, Damares afirmou que a comissão parlamentar tem sofrido pressões de pessoas e instituições que buscam atrapalhar as investigações por terem .
Entenda:
Genial/Quaest:
— Ela tenta tirar proveito político do que não fez — afirmou Malafaia, em vídeo publicado nas redes sociais. — Não é Damares que denuncia igrejas e pastores. O que ela faz, junto dos outros deputados e senadores, é assinar requerimento de convocação. Ela não denuncia pastores, tampouco igrejas.
Em nota publicada no Instagram na noite desta quarta-feira, Damares já havia dito que as informações mencionadas em relação às igrejas são públicas, constam em documentos oficiais e já foram aprovadas pelos integrantes da comissão. Ela também ressaltou que foi a autora do requerimento que resultou na criação da CPMI do INSS, instalada em 2025, e que atua como membro titular da comissão desde o início dos trabalhos.
No mesmo vídeo, Malafaia afirmou ter conversando com o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), para questionar sobre as pressões declaradas por Damares. De acordo com o pastor, o parlamentar destacou que "absolutamente não houve" lobby de líderes religiosos em busca de atrapalhar as investigações.
Viana também teria dito a Malafaia que, segundo as investigações, há indícios de que duas igrejas foram criadas para lavagem do dinheiro dos aposentados, que realizaram ofertas para "igrejas menores":
— A Damares mente. Primeiro, diz que tem grandes igrejas, e não tem. E segundo, ela está desafiada a dar o nome de pastores evangélicos que fizeram lobby para ela se calar, como se esse documento fosse secreto. Ela quer tirar vantagem política — disse Malafaia. — Eu quero que venha tudo à tona, porque a igreja e nós, líderes, não vamos receber pecha de corruptos daquilo que não temos nada a ver.
A publicação da lista por Damares , que a chamou de "linguaruda" por expor a ligação de religiosos com o esquema "sem dar nomes".
— Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda — disse o pastor. — Se já não bastasse Satanás e os ímpios que nos odeiam para nos caluniar, vem alguém dita evangélica e traz uma denúncia dessa gravidade sem dar nomes? A senhora guarde sua língua e, se não tem os nomes, cale a boca. Se tem, denuncie para o bem da igreja evangélica.
Saiba quem são os envolvidos
Igrejas:
Adoração Church — Alvo de pedido de quebra de sigilo;
Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo — Alvo de pedido de quebra de sigilo;
Ministério Deus é Fiel Church — Alvo de pedido de quebra de sigilo;
Igreja Evangélica Campo de Anatote — Alvo de pedido de quebra de sigilo.
Pastores:
Cesar Belucci — Convidado a comparecer à CPMI;
André Machado Valadão — Convidado a comparecer à CPMI e alvo de pedido de quebra de sigilo;
Péricles Albino Gonçalves — Convidado a comparecer à CPMI;
Fabiano Campos Zettel — Convidado a comparecer à CPMI;
André Fernandes — Convidado a comparecer à CPMI.
Entenda o caso
Damares afirmou que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS lhe causa “profundo desconforto e tristeza”, mas ressaltou que a CPMI tem o dever constitucional de investigar os fatos “com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.
A manifestação ocorre após Malafaia anunciar, em suas redes sociais, que publicaria um vídeo para confrontar a senadora. O pastor reagiu às declarações feitas por Damares, nas quais ela afirmou que a comissão identificou “grandes igrejas” e “grandes pastores” envolvidos em fraudes no sistema previdenciário, além de relatar pressões para que as investigações não avançem.
— (Estão tentando atrapalhar as investigações) O tempo todo. Vou falar algo que me machuca muito. Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: "não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes" — afirmou a senadora, em entrevista concedida ao SBT News, ao ser questionada sobre se há tentativas de atravancar os trabalhos.
Na mesma entrevista, Damares apontou que, por conta disso, a CPMI tem sido alvo de lobbys contra o avanço das investigações. Ela também ressaltou que o trabalho dos parlamentares tem superado suas próprias expectativas:
— Essa CPMI do INSS está chegando em lugares que a gente jamais imaginava. Grandes igrejas do Brasil estão sendo apontadas. Isso me machuca muito — frisou.
Próximos passos
Para 2026, Carlos Viana informou que os parlamentares vão realizar, em fevereiro, o “primeiro balanço” do relatório preliminar sobre as atividades da comissão no ano passado.
O prazo de encerramento da CPMI está previsto para março, mas Viana defendeu a prorrogação dos trabalhos do grupo por mais 60 dias, por avaliar que a data não é suficiente para analisar os documentos recebidos e ouvir todos os depoentes que ainda são esperados.
“Diante da dimensão nacional e da profundidade desse esquema, afirmo que é absolutamente indispensável a prorrogação da CPMI por mais 60 dias. Somente assim será possível aprofundar as apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e garantir justiça plena às vítimas”, afirmou o parlamentar, em nota.
A comissão realizou 28 reuniões ao longo do ano passado. Foram ouvidas 26 testemunhas, entre elas dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi, o titular da pasta quando as irregularidades foram expostas, e Onyx Lorenzoni, responsável pelo ministério durante o governo Bolsonaro, período em que teriam começado os desvios.
No mês passado, Viana adiantou alguns dos resultados que devem ser entregues no relatório final, como a análise de 4.800 documentos e a identificação de 108 empresas suspeitas. O presidente da CPI também afirmou que pedirá ao STF a suspensão imediata de quase 2 milhões de contratos de empréstimo consignado suspeitos de irregularidades.
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