Economia

Bolsas de Nova York têm maior queda desde março de 2020 com tarifaço de Trump

03/04/2025
Bolsas de Nova York têm maior queda desde março de 2020 com tarifaço de Trump
Bolsas de Nova York têm maior queda desde março de 2020 com tarifaço de Trump - Foto: Reprodução / Agência Brasil

As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta quinta-feira, 3, em forte queda, em uma reação clara ao tarifaço mais agressivo do que o esperado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além de uma taxa mínima de 10% sobre praticamente todas as importações do país, o presidente dos EUA anunciou alíquotas recíprocas a seus principais parceiros comerciais. O Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram a maior queda diária desde março de 2020.

O Dow Jones recuou 3,98%, fechando aos 40.545,93 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 4,84%, para 5.396,52 pontos, e o Nasdaq tombou 5,97%, para 16.550,61 pontos. Os dados são preliminares.

O analista Dan Ives, da Wedbush Securities, chamou o pacote tarifário de "pior que o pior cenário" previsto por Wall Street. Para ele, as ações de tecnologia "claramente estarão sob forte pressão após esse anúncio, devido às preocupações com a destruição da demanda, as cadeias de suprimentos e sobretudo o impacto das tarifas envolvendo a China e Taiwan."

As grandes empresas de tecnologia não estão imunes às tarifas dos EUA, destaca em nota o analista da Quilter Cheviot, Ben Barringer. A Apple fabrica 90% de seus produtos na China e os outros 10% em países asiáticos como Vietnã e Índia. "Esses países estão enfrentando as tarifas mais severas, então podemos esperar que os preços dos iPhones e Apple Watches aumentem, impactando significativamente os lucros da empresa", diz Barringer.

As tarifas também deverão levar a cortes nos gastos com software e computação em nuvem. "A Alphabet enfrentará um duplo impacto, já que a publicidade digital também será reduzida em um ambiente econômico mais difícil", afirma, acrescentando que a Meta também será afetada nesse sentido".

As ações da Apple, Meta Platforms e Alphabet recuaram 9,3%, 9% e 4,0%, respectivamente.

Ainda maiores foram os tombos das fabricantes de computadores pessoais, como Dell Technologies, que caiu 19%, e HP Inc., que recuou 14,7%.

A fabricante de tênis e roupas esportivas Nike caiu 14,5%. Fábricas no Vietnã produziram cerca de 50% dos calçados e 28% das roupas da Nike no exercício fiscal de 2024.

As ações dos bancos também despencaram à medida que os investidores avaliavam as implicações econômicas das amplas tarifas de Trump. O Bank of America fechou o dia com queda de 11%, o JPMorgan Chase recuou 7% e o Wells Fargo teve tombo de 9,1%.

Na contramão do mercado, a ação da Intel inverteu o sinal e fechou em alta de 2% após informações de um acordo preliminar com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. para a criação de uma joint venture voltada à operação das instalações de fabricação de chips da empresa americana.

*Com informações da Dow Jones Newswires

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