Política

Câmara de Palmeira dos Índios rejeita requerimentos de fiscalização e escancara o acordão político com prefeitura

Por Redação 03/04/2025
Câmara de Palmeira dos Índios rejeita requerimentos de fiscalização e escancara o acordão político com prefeitura

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Palmeira dos Índios realizada nesta quarta-feira (02) terminou com a rejeição de requerimentos considerados essenciais para a função fiscalizadora do Legislativo, revelando o peso de acordos políticos que, segundo denúncias, envolvem distribuição de cargos em troca de silêncio parlamentar.

Os requerimentos rejeitados são de autoria do vereador Helenildo Neto e tratavam de temas sensíveis à população, como o pagamento do piso salarial a professores contratados, possíveis irregularidades previdenciárias identificadas pela Receita Federal e a convocação da secretária de Educação para esclarecer problemas no transporte escolar e no pagamento do Bônus de Desempenho Educacional (BDE).

Já o requerimento do vereador Roninha Raimundo, que solicitava a convocação da secretária de Saúde para prestar contas sobre a situação da saúde pública municipal, não foi votado devido à ausência do parlamentar na sessão.

Confira como votaram os vereadores no bloco de requerimentos apresentados por Helenildo Neto:

Votos a favor (3):

• Helenildo Ribeiro (Republicanos)
• Fabiano Gomes (Republicanos)
• Kall Mello (União Brasil)
Votos contra (11):
• Madson Monteiro (PV)
• Toninho Garrote (PP)
• Janio Marques (MDB)
• Pedrinho Gaia (MDB)
• Maxwell Feitosa (MDB)
• Gileninho Sampaio (PRD)
• Salomão Torres (MDB)
• Lucio Medeiros (União Brasil)
• Geraldo Ribeiro (Solidariedade)
• Fábio Targino (Solidariedade)
Ausentes (2)
• Sidiny Targino (PT)
• Ronaldo Raimundo (PRD)

A votação — transmitida pela TV Câmara e acompanhada com atenção por moradores nas redes sociais — gerou indignação.

Pela manhã, antes da sessão, uma usuária do SUS que sofria na fila da central de marcação, em desabafo, resumiu o sentimento de boa parte da população:
“Os vereadores foram comprados pela prefeita”.

Com isso, só quem sofre é o povo.”

Contexto: o acordão que silenciou a Câmara

A rejeição dos requerimentos acontece 15 dias após um acordo político interno que teria garantido, segundo estampa o Diário Oficial, cargos estratégicos em secretarias municipais a parlamentares aliados ao Executivo. Desde então, a Câmara passou duas semanas sem realizar sessões ordinárias, segundo fontes, para evitar o constrangimento de votar os requerimentos; Ontem (02), não teve mais jeito e a base governista teve que se expor barrando qualquer tentativa de fiscalização direta à gestão da prefeita Luíza Duarte.

A sessão também serviu para expor a fragilidade institucional da Câmara, que abdicou de seu papel constitucional ao ignorar temas de impacto direto para servidores, professores, estudantes e usuários da saúde pública.

Com a omissão da maioria dos vereadores, resta aos parlamentares independentes — que ainda exercem seus mandatos com compromisso fiscalizador — recorrer ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, a fim de garantir transparência e controle social sobre os atos da prefeitura.

A Tribuna do Sertão continuará acompanhando os desdobramentos e cobrando das autoridades explicações e ações concretas para que a fiscalização não seja silenciada pelo toma-lá-dá-cá da velha política.