Esportes
São Paulo vê dívida explodir em mais de R$ 400 milhões em 4 anos de gestão Casares

O São Paulo atravessa momento delicado do ponto de vista financeiro. A dívida aumentou em mais de R$ 400 milhões nos quatro anos de gestão do presidente Júlio Casares, no cargo desde 2021. A diretoria deve apresentar um passivo total de R$ 968,2 milhões no balanço referente ao ano de 2024 que será divulgado neste mês, a maior cifra já registrada pelo clube.
Em 2024, o São Paulo fechou o ano com um impressionante déficit de R$ 287 milhões, em uma temporada marcada pelo título da Supercopa do Brasil diante do rival Palmeiras. O time caiu nas quartas de final da Libertadores, para o Botafogo, e Copa do Brasil, para o Atlético-MG, e encerrou o Brasileirão na sexta colocação.
O número chama atenção porque é bastante superior ao de 2023, quando o clube fechou com um déficit de R$ 62,2 milhões, e maior ainda em relação ao de 2021, temporada marcada pela ausência de público causada por causa da pandemia da covid-19, em que a diretoria fechou o ano deficitária em R$ 106,4 milhões. O único ano da gestão Casares no qual o São Paulo apresentou superávit foi 2022, quando a agremiação embolsou R$ 37,4 milhões.
Cabe ressaltar que o valor da dívida total a ser apresentada no balanço de 2024 já leva em consideração o abatimento de R$ 117,3 milhões, valor captado junto ao Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC). Caso contrário, o montante ultrapassa a marca de R$ 1bi.
O FIDC visa justamente a quitação de dívidas do clube com bancos e instituições financeiras. Até 2023, o número mais do que dobrou em cinco anos, passando de R$ 107 milhões para R$ 226 mi.
Um caso peculiar é a dívida do São Paulo com Daniel Alves, que ficou 14 meses preso, mas foi absolvido da acusação de agressão sexual na Espanha. Com passagem discreta pelo clube, entre 2019 e 2021, e incomodado com o atraso no pagamento dos direitos de imagem, o atleta fez um acordo com a diretoria, em 2022, pela rescisão contratual. O valor acordado foi R$ 25 milhões, em 60 parcelas de R$ 400 mil.
O São Paulo não pode nem pensar em atrasar o pagamento da dívida. Em 2021, ainda antes de rescindir, Daniel Alves acionou a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por salários atrasados. Na época, o clube poderia perder pontos em caso de punição. Se o acordo não for cumprido, o processo pode ser reaberto. O jogador chegou a atuar em 18 partidas enquanto o processo corria.
Apesar do endividamento preocupante, cabe ressaltar que o São Paulo alcançou cifras recordes em receitas totais pelo terceiro ano seguido, arrecadando R$ 731 milhões em 2024.
Para conseguir aumentar as receitas e amenizar a situação das contas, o São Paulo está explorando cada vez mais o potencial comercial do MorumBis. O clube vendeu o naming rights do estádio para a Mondelez, conglomerado multinacional de alimentos dono de marcas de chocolate como Bis, Sonho de Valsa e Oreo, por R$ 90 milhões em um acordo por três temporadas. A diretoria também assinou um contrato com a produtora LiveNation, em 2024, para a realização de 20 shows até o fim deste ano.
A diretoria também engatilhado a renovação de contrato com Superbet, patrocinadora máster, até 2030, e prevê receber até R$ 678 milhões ao fim do contrato. O clube recebe anualmente R$ 78 milhões, valor que vai progredir até R$ 130 mi no último ano de acordo.
Júlio Casares assumiu o São Paulo em 2021, sucedendo Carlos Augusto de Barros e Silva, mais conhecido como Leco, com o discurso de austeridade. Ele foi reeleito no ano passado para novo mandato e vai comandar o clube até 2026.
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