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Defesa só será prioridade quando sair do Orçamento, afirma ministro José Mucio
Para José Mucio, recursos para Forças Armadas competem com áreas sociais e deveriam ter fonte própria
O ministro da Defesa, José Mucio, afirmou nesta sexta-feira (16) que os investimentos em defesa só se tornarão prioridade quando deixarem de depender do Orçamento da República. Em sua avaliação, os elevados custos para aquisição de aviões e submarinos, por exemplo, são frequentemente questionados em um país onde há pessoas passando fome.
Em entrevista à jornalista Miriam Leitão, publicada no jornal O Globo, Mucio explicou que, enquanto a Defesa permanecer dentro do Orçamento federal, áreas que impactam diretamente a vida da população, como saúde e educação, sempre terão prioridade em relação à compra e manutenção de equipamentos militares.
"O que eu defendo muito é que defesa não faça parte do Orçamento. Porque se nós formos comparar prioridade, nós temos outras prioridades para investir, fome, educação e outras coisas."
Como exemplo, o ministro citou que um avião militar custa cerca de US$ 100 milhões (R$ 536 milhões), enquanto um submarino pode valer até oito vezes mais. Segundo Mucio, a relação entre a sociedade civil e os militares após a ditadura é um dos motivos para que o aumento do investimento em defesa sequer seja debatido.
"A relação do mundo civil, dos políticos, com os militares, nunca foi uma relação fácil de conversar, de sentar na mesa, a não ser que fosse por obrigação. Então, o tema de defesa saiu dos projetos de governo. É como se você contratasse para sua casa um vigia e, como não confiasse nele, não permitisse que ele trabalhasse armado. Você ficava desguarnecido, tinha despesas de vigia e o vigia ainda ficava magoado com você porque você não tinha confiança nele. Nós estamos desguarnecidos."
O ministro destacou ainda os recursos estratégicos do Brasil, como petróleo, gás, minerais (incluindo terras raras) e água doce, que estão no centro de disputas globais. Ele também ressaltou a extensão das fronteiras brasileiras: quase 17 mil km de fronteiras secas e 8.500 km de fronteiras marítimas.
"Temos 16.700, quase 17 mil km de fronteira seca aqui com os nossos vizinhos, 8.500 km de fronteira marítima. Lembra que o americano, por conta de 4.600 km de fronteira com o México, só falta enlouquecer. Nós temos 17 mil km."
Segundo Mucio, os R$ 30 bilhões que a Defesa receberá nos próximos seis anos, fora do Orçamento, serão destinados a investimentos em "sistemas estratégicos", e não ao aumento de efetivo.
O ministro reconheceu que o Brasil não pode investir em Defesa os mesmos valores que China e Estados Unidos, que destinam centenas de bilhões de dólares ao setor. No entanto, ressaltou a importância de garantir a proteção nacional diante de ameaças imprevisíveis.
"A gente precisa [de investimento] para defender as nossas fronteiras, defender o que é nosso, a gente não pode se entregar. Primeiro, eu não sei quem vai me invadir, qual é o interesse que tem aqui? Evidentemente que a política do [presidente Donald] Trump é uma política diferente das outras que nós assistimos. Mas não é por isso que nós vamos cruzar o braço."
Por Sputnik Brasil
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