Geral

Wellington César descarta crise entre Poderes após decisão de Toffoli sobre Banco Master

Ministro da Justiça afirma que não há motivo para escalada de tensão após envio de provas do caso Master à PGR; foco do governo é o combate ao crime organizado.

15/01/2026
Wellington César descarta crise entre Poderes após decisão de Toffoli sobre Banco Master
Wellington César Lima e Silva - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O novo ministro da Justiça, Wellington César, afirmou nesta quinta-feira (15) que não vê motivos para uma escalada de crise entre os Poderes após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) as provas da Polícia Federal sobre o suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.

"Eu não vejo nenhum motivo para escalar uma crise em função disso. Se o juiz determina algo e o modo de execução parece não ter atendido no detalhe a sua particularidade, aquele que foi determinado esclarece", declarou Wellington César.

O ministro também esclareceu que a reunião convocada mais cedo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teve como tema central a crise envolvendo o Banco Master. Inicialmente, ao ser questionado pela imprensa, Wellington foi evasivo: "O tema foi tratado como eixo, uma diretriz de órgãos de Estado que não se preocupa com nenhuma particularidade específica. Por outro lado, não vai deixar de atuar contra todos aqueles que se ajustem nesse perfil".

Ao abordar o "tema", Wellington não detalhou se se referia ao combate ao crime organizado ou especificamente ao Banco Master. O fato de afirmar que a reunião tratou de "uma diretriz de órgãos de Estado que não se preocupa com nenhuma particularidade específica" indica que o foco era o enfrentamento ao crime organizado, e não exclusivamente o caso Master.

Em nova declaração à imprensa, o ministro afirmou que o encontro buscou alinhar a atuação dos Poderes para fortalecer o combate ao crime organizado no chamado "andar de cima".

"Todos os integrantes falaram, cada um fez a sua abordagem, e o único ponto em comum era aumentar a efetividade do combate ao crime organizado. Este foi o sentido, esta foi a direção, esta foi a tônica e esta vai ser a tônica da ação do Ministério da Justiça nesse debate", destacou Wellington César.

Apesar disso, durante a cerimônia privada em que Lula assinou o termo de posse de Wellington, o presidente mencionou a investigação contra o Banco Master como exemplo do que chamou de "momento histórico do Brasil" no combate ao crime organizado.

"Depois da operação Carbono Oculto, que foi a maior operação feita pela Polícia Federal junto com a Polícia de São Paulo, junto com a Receita Federal. Depois da Operação Refit, quando nós conseguimos bloquear cinco navios com 250 milhões de litros de gasolina contrabandeada. Depois que nós fizemos isso, depois da situação do Banco Central com o Banco Master (...) Nós vamos mostrar que o Estado brasileiro vai derrotar o crime organizado", afirmou Lula.

Wellington César também informou que Lula lhe concedeu liberdade para renovar toda a equipe do Ministério da Justiça. Embora não tenha revelado nomes de novos auxiliares, adiantou que o secretário-executivo, Manoel Carlos de Almeida Neto, deixará o cargo.