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Tomar posição é inevitável: Brasil vê na Rússia um eixo contra a pressão dos EUA na região?

Diálogo entre Lula e Putin reforça laços estratégicos e indica mudança na postura brasileira diante das disputas globais.

Sputinik Brasil 15/01/2026
Tomar posição é inevitável: Brasil vê na Rússia um eixo contra a pressão dos EUA na região?
Lula e Putin discutem aproximação estratégica em meio à pressão dos EUA na América do Sul. - Foto: © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Tomar posição é inevitável: Brasil vê na Rússia um eixo contra a pressão dos EUA na região?

Em uma longa ligação telefônica realizada na última quarta-feira (15), os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Rússia, Vladimir Putin, discutiram a importância de intensificar a coordenação entre os dois países como resposta às tensões provocadas pelos Estados Unidos na América do Sul.

Isabela Rocha, membro da diretoria do Fórum para Tecnologia Estratégica do BRICS, afirmou à Sputnik Brasil que o diálogo direto entre Brasília e Moscou ocorre em um momento em que o Brasil é pressionado a rever sua postura na política externa. Segundo a especialista, a ideia de que o país poderia se manter distante das disputas geopolíticas globais perdeu força diante da escalada de tensões na região.

"Se a gente ficar toda hora hesitando porque está com medo da forma como os Estados Unidos vão reagir, eles vão continuar fazendo o que bem quiserem", destaca Rocha.

Nesse contexto, a aproximação com a Rússia surge, de acordo com Rocha, como um movimento estratégico do Brasil, já que Moscou compartilha visões semelhantes sobre os desafios globais. Ela acrescenta que o fortalecimento de instituições regionais e multilaterais aparece como alternativa para ampliar a margem de manobra brasileira.

Segundo Rocha, a expectativa é que "Lula consiga fortalecer as instituições brasileiras, também as instituições do Mercosul, com o apoio da Rússia e da China".

Na avaliação final, Rocha alerta que a pressão externa tende a se intensificar, independentemente da postura adotada por Brasília. Por isso, conclui que "talvez já tenha passado da hora" de o Brasil assumir de forma mais clara seu papel como potência regional e atuar para se resguardar diante da ofensiva de Washington.