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Calma: saiba como agir ao presenciar uma crise convulsiva
Protocolo CALMA orienta sobre primeiros socorros em crises epilépticas; especialistas detalham cuidados e prevenção
Durante uma prova de resistência do programa Big Brother Brasil, o ator Henri Castelli sofreu uma crise epiléptica. Após realizar exames em um hospital, ele retornou ao reality show, mas apresentou um segundo episódio. Por orientação médica, precisou deixar a atração.
O caso ocorrido no BBB levanta uma questão importante: como agir corretamente diante de uma crise convulsiva?
Especialistas explicam que as crises epilépticas podem se manifestar de diferentes formas, dependendo da região do cérebro afetada. Quando o distúrbio atinge apenas uma parte do cérebro, os sintomas tendem a ser mais leves, como olhar fixo, confusão, tontura, dor de cabeça, enjoo e dor abdominal.
Se for possível perceber que a pessoa está prestes a ter uma crise, ou se ela relatar mal-estar, o ideal é manter a calma e ajudá-la a se sentar ou deitar. "Nessa fase, não é possível prever se a crise cessará ou evoluirá para uma crise tônico-clônica", esclarece o neurologista Lécio Figueira.
Nos casos em que a crise evolui para o quadro tônico-clônico — popularmente conhecido como convulsão — podem ocorrer queda, movimentos involuntários intensos, perda de consciência, mordida da língua, salivação e perda urinária.
Para orientar a população, a Liga Brasileira de Epilepsia desenvolveu o protocolo CALMA, um acrônimo que reúne os principais passos para agir nesses momentos:
C - Conservar a calma
A - Afastar objetos que possam machucar
L - Lateralizar a cabeça, colocando a pessoa de lado
M - Marcar o tempo da crise
A - Acionar ajuda médica, se necessário
O neurologista Figueira reforça que não se deve restringir os movimentos do paciente, pois isso pode causar lesões. Também é fundamental manter a pessoa de lado para evitar engasgos. "Não ofereça água nem medicamentos durante a crise, exceto sob orientação médica", orienta.
É importante destacar que nem toda crise convulsiva significa epilepsia. Se for a primeira vez que a pessoa apresenta esses sintomas, o recomendado é buscar atendimento médico, como o Samu. O mesmo vale se a crise durar mais de dois minutos, pois a chance de cessar espontaneamente é menor.
Após o episódio, geralmente o paciente recupera a consciência entre 10 e 15 minutos.
Como agir se o indivíduo já tem diagnóstico de epilepsia
Nesses casos, a conduta pode ser diferente e nem sempre é necessário acionar ajuda médica durante a convulsão. Muitas vezes, pessoas com epilepsia reconhecem os sinais iniciais da crise, segundo o neurologista Ricardo Alvim, coordenador da Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador.
Além do protocolo CALMA, recomenda-se que um familiar ou pessoa próxima registre a crise em vídeo — especialmente se o paciente ainda estiver em investigação clínica —, pois as imagens podem auxiliar o médico no acompanhamento do quadro.
Como os sintomas variam conforme a área cerebral afetada, Alvim destaca que os primeiros sinais podem incluir alterações de cheiro ou sensações como déjà-vu.
"Em situações assim, quem convive com o paciente deve se antecipar e preparar o ambiente para evitar acidentes", orienta. Ele ressalta a necessidade de atenção redobrada quando o paciente estiver dirigindo, andando na rua ou próximo ao fogão.
Gatilhos para crises convulsivas
Certas condições podem aumentar o risco de crises, como alterações metabólicas, uso de álcool e drogas, e traumatismos cranianos. Entre os gatilhos mais comuns estão privação de sono, estresse intenso, infecções, estímulos luminosos, desidratação e jejum prolongado, que também podem desencadear episódios convulsivos.
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