Finanças
Parentes de fundador da Reag se beneficiaram de fundos que inflaram artificialmente patrimônio do Master, aponta investigação
Apuração aponta que Master concedia empréstimos para empresas que, na sequência, repassavam quase todo o valor a fundos administrados pela Reag
Além de implicar familiares de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, a investigação da Polícia Federal sobre uma fraude bilionária no sistema financeiro envolve também parentes de João Carlos Mansur, fundador da Reag, gestora de fundos de investimento. De acordo com a apuração, alguns de seus familiares são os principais beneficiários finais declarados de dois fundos envolvidos na teia armada pelo Master para inflar artificialmente o patrimônio. A defesa de Mansur disse que não irá se manifestar.
As investigações apontam que o Master concedia empréstimos para empresas que, na sequência, repassavam quase todo o valor a fundos administrados pela Reag compostos por investimentos em papéis de baixo valor.
Em uma de suas decisões, o ministro Dias Toffoli, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), cita um trecho da manifestação da Procuradoria da República em São Paulo que afirma que os fundos Astralo 95 e Reag Growth 95 “integram uma extensa cadeia de controle, cujos principais beneficiários finais declarados são” três pessoas que possuem vínculo familiar com Mansur.
A PF identificou que houve o uso de “fundos de investimento para circulação de ativos sem liquidez, artificialmente precificados, e reiteradas operações entre partes relacionadas — muitas delas sob controle direto ou indireto de indivíduos ligados por vínculos societários, familiares ou — funcionais”, conforme destacou a Procuradoria da República em São Paulo.
No caso dos fundos cujos beneficiários eram familiares de Mansur, a investigação mostrou que os CDBs adquiridos por eles "eram paulatinamente resgatados nos dias subsequentes". Em maio de 2024, por exemplo, o fundo Astralo 95 resgatou aproximadamente R$ 800 milhões em CDBs, transferindo R$ 650 milhões para outro fundo, o FIP Termópilas, que, por sua vez, transferiu esse mesmo valor para a empresa Super Empreendimentos, que tem como sócio Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Apesar de ele nao mais constar no quadro societário, sua defesa diz que ele ainda é sócio.
Conforme a investigação, havia uma rede de relações empresariais e financeiras, “com indícios consistentes da prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, notadamente gestão fraudulenta, indução de investidor em erro, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado, além de lavagem de dinheiro e constituição de organização criminosa”.
Além disso, em comunicação enviada ao Ministério Público Federal (MPF), o Banco Central indicou 36 empresas que tomaram supostos empréstimos fictícios do Banco Master que permitiram o desvio bilionário em recursos por meio de fundos de investimento geridos pela Reag. Dentre elas, estão duas empresas comandadas por um outro familiar de Mansur e que fizeram aportes milionários em fundos geridos pela Reag.
De acordo com as investigações da Operação Compliance Zero, o Master concedia empréstimos a empresas que, posteriormente, reaplicavam recursos em fundos de investimento da Reag. Milhões de reais eram transferidos de um fundo a outro por meio de uma série de transações-relâmpago em um curto período. Os fundos eram compostos por papéis de baixa liquidez.
A Reag foi fundada por Mansur em 2012, e em poucos anos se tornou uma das maiores gestoras independentes de fundos do Brasil. A gestora, que administra também alguns fundos do Master, cresceu num ritmo acelerado, através da aquisição de mandatos de fundos exclusivos – usados, por exemplo, para administração de patrimônio e geralmente com apenas um cotista.
Mansur também construiu a reputação de ser um dos empresários mais influentes na interseção entre o mercado financeiro e o futebol brasileiro, desembolsando cifras bilionárias nesses negócios. Ele é conselheiro influente no Palmeiras, gestor das finanças do estádio do Corinthians e articulador de investimentos bilionários em clubes esportivos.
O empresário exerceu o cargo de presidente do Conselho de Administração da empresa. Na Faria Lima, ele era considerado um "empreendedor arrojado", o que na linguagem dos gestores significa que gostava de aproveitar as oportunidades mais arriscadas do mercado. Seu conhecimento de auditoria também é apontado pelos concorrentes como um diferencial, já que ele sabe identificar quaisquer fragilidades em balanços de fundos. Em seu círculo de amizades, está o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em setembro, depois de ser um dos alvos da Operação Carbono Oculto, contra o crime organizado, a gestora Reag Investimentos anunciou a venda de seu controle acionário e a saída de Mansur da presidência do Conselho de Administração.
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