Finanças

MPF aponta existência de organização criminosa no Banco Master

Trecho citado por Dias Toffoli destaca planejamento e escalada das atividades ilegais

Agência O Globo - 15/01/2026
MPF aponta existência de organização criminosa no Banco Master
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Os investigadores do esquema envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master apontaram que os supostos crimes praticados indicam a existência de uma organização criminosa em atuação desde a década passada. De acordo com o Ministério Público Federal de São Paulo, as evidências coletadas sugerem um planejamento estruturado e uma escalada das atividades ilícitas.

“Nesse contexto, o histórico juntado pela Polícia Federal a respeito de anteriores investigações serve como indício da existência do crime de organização criminosa estruturada desde a década passada, bem como demonstra que os fatos sob apuração não foram fruto de uma situação ocasional de descontrole. Pelo contrário, tais fatos revelam o planejamento e a escalada das atividades criminosas dos envolvidos e devem ser assim valorados”, afirmaram os procuradores.

O trecho foi utilizado na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que autorizou mandados de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro e outros investigados. No documento, o MPF defendeu que a apuração deveria permanecer sob a competência da Justiça Federal de São Paulo.

Toffoli, no entanto, destacou que as investigações eram ainda mais amplas do que as da Operação Compliance Zero, já sob sua relatoria, ressaltando um contexto de suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e dos sistemas de regulação e fiscalização.

Após a operação realizada nesta quarta-feira, a defesa de Daniel Vorcaro informou que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirmou que Vorcaro tem colaborado integralmente com as autoridades. A defesa garantiu que todas as determinações judiciais serão cumpridas com total transparência.

“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais”, declarou a defesa.

Em nota, a Reag esclareceu “que não é parte em operações societárias ou comerciais das empresas mencionadas nem exerce controle ou ingerência sobre suas decisões, atividades ou estrutura de capital. As responsabilidades e decisões dessas companhias são exclusivas de seus acionistas e administradores.”

A empresa ainda explicou que os recursos mencionados decorrem de operações de crédito estruturadas, cujos desembolsos dependiam do avanço de projetos específicos. “Por determinação contratual, a liberação das parcelas só poderia ocorrer após a confirmação de marcos de execução e aprovação técnica desses projetos. Enquanto tais condições não eram verificadas, os valores não podiam ser utilizados e deveriam permanecer aplicados em instrumentos financeiros vinculados ao próprio credor. Esse modelo, amplamente utilizado no mercado de crédito estruturado, assegura que os recursos permaneçam alocados e preservados até que os projetos atinjam suas fases de implementação e autorização formal”, afirmou a companhia.