Finanças
Ultrafarma fecha todas as lojas físicas e aposta em unidade conceito em São Paulo
Mudança de rota acontece seis meses após prisão de Sidney Oliveira, dono do negócio, em operação que apurou esquema de pagamento de propina a auditores fiscais do governo paulista
A rede de farmácias Ultrafarma anunciou o fechamento de todas as suas quatro lojas físicas para concentrar as operações em uma nova "loja-conceito", que será inaugurada na Zona Norte de São Paulo.
A decisão ocorre seis meses após a prisão de Sidney Oliveira, fundador e garoto-propaganda da empresa, durante uma operação que investigava um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.
Atualmente, a Ultrafarma mantém quatro unidades em funcionamento, todas localizadas em diferentes pontos da Avenida Jabaquara, na Zona Sul da capital paulista, região onde a rede foi fundada há 25 anos. Ainda não há data definida para o fechamento dessas unidades, nem previsão para a abertura da nova megaloja.
Comunicado
Segundo comunicado divulgado pela empresa, a nova loja terá três mil metros quadrados e contará com ótica, farmácia convencional e serviços de manipulação de medicamentos. A Ultrafarma não informou se haverá demissões em decorrência da reestruturação.
A empresa também destacou que o reposicionamento estratégico busca fortalecer a operação online, com previsão de entrega expressa para a Grande São Paulo e frete tradicional para as demais regiões do país. O grupo mantém um centro de distribuição em Santa Isabel, na Região Metropolitana de São Paulo.
Esquema bilionário
Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, foi preso em agosto de 2023 durante a Operação Ícaro, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que investigou um suposto esquema bilionário de propinas e créditos irregulares de ICMS envolvendo auditores fiscais da Secretaria da Fazenda estadual. A operação também levou à prisão de Mário Otávio Gomes, diretor estatutário do grupo Fast Shop. Ambos foram soltos posteriormente.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do MP-SP, o grupo criminoso favorecia empresas do varejo por meio de ressarcimentos indevidos de créditos de ICMS. Entre as beneficiadas estariam a Ultrafarma e a Fast Shop.
O então supervisor da Diretoria de Fiscalização (DIFIS) da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), Artur Gomes da Silva Neto, foi apontado como principal operador do esquema. Apenas em 2024, o Ministério Público encontrou 174 e-mails na caixa de mensagens de Neto tratando de benefícios fiscais para a rede de farmácias.
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