Finanças

Peritos da PF alertam para risco de perda de provas após decisão de Toffoli no caso Master

Associação de peritos federais critica envio de evidências à PGR e teme prejuízo à cadeia de custódia e análise técnica.

Agência O Globo - 15/01/2026
Peritos da PF alertam para risco de perda de provas após decisão de Toffoli no caso Master
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Peritos da Polícia Federal (PF) manifestaram preocupação com a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de encaminhar as provas da última fase da Operação Compliance Zero à Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo os especialistas, a medida traz "riscos operacionais e técnicos", que podem resultar na perda de vestígios relevantes para a investigação.

"A postergação do envio ou a realização dos exames fora das unidades oficiais de criminalística, sobretudo em relação a dispositivos eletrônicos, pode levar à perda de vestígios relevantes para a persecução penal, ou mesmo à perda de oportunidades técnicas, por vezes irrepetíveis, como a análise de aparelhos ainda ativos ou recentemente desbloqueados", afirma nota divulgada nesta quinta-feira pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF).

Internamente, peritos também alertam para possíveis questionamentos futuros sobre a validade das provas, já que a cadeia de custódia passará a ser responsabilidade do órgão de acusação, o Ministério Público Federal. No processo penal, a perícia é considerada uma etapa neutra, dedicada à análise técnico-científica das evidências.

Como exemplo, os peritos citaram os sistemas Drousys e MyWebDay, que foram inicialmente periciados por equipes técnicas do Ministério Público e, posteriormente, tiveram suas análises contestadas pela defesa dos réus. Segundo as investigações, esses sistemas eram utilizados pela Odebrecht para organizar a distribuição de propinas.

Pelo procedimento padrão, cabe à Polícia Federal custodiar as provas e realizar a primeira extração de dados de dispositivos eletrônicos, como celulares e notebooks, de onde costuma vir a maioria das evidências. No entanto, Toffoli determinou que a PGR fique responsável pela guarda das evidências, sem que houvesse solicitação do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em balanço divulgado ontem, a Polícia Federal informou ter apreendido 39 celulares, 31 computadores e 30 armas durante o cumprimento dos mandados. Também foram recolhidos R$ 645 mil em espécie e 23 veículos, avaliados em cerca de R$ 16 milhões. Deflagrada na quarta-feira, a Operação Compliance Zero visa aprofundar investigações sobre supostas fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master.

Anteriormente, Toffoli havia determinado que todo o material apreendido fosse "lacrado" e "acautelado" nas dependências do Supremo, o que também gerou reação da PF.

Segundo fontes próximas à investigação, tal medida poderia acarretar perda de informações, danos aos equipamentos ou problemas relacionados a bloqueios, senhas e degradação de dados digitais.