Finanças

Indústria automotiva projeta avanço em 2026, mas mantém cautela diante de incertezas

Cenário geopolítico, ritmo de queda dos juros, regulamentação tributária e eficácia do Move Brasil explicam o otimismo moderado do setor

Agência O Globo - 15/01/2026
Indústria automotiva projeta avanço em 2026, mas mantém cautela diante de incertezas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê crescimento para a indústria automotiva em 2026, mas adota uma postura de otimismo contido diante das incertezas para o próximo ano. Segundo dados divulgados pela entidade nesta quinta-feira, a produção nacional deve avançar 3,7% em 2026, alcançando 2,74 milhões de veículos fabricados.

Esse resultado supera levemente o desempenho de 2025, quando o setor produziu 2,64 milhões de unidades — alta de 3,5% em relação a 2024. O crescimento será puxado principalmente pelos veículos leves, cuja projeção é de um aumento de 3,8%. Já o segmento de pesados deve registrar evolução mais modesta, com previsão de alta de apenas 1,4%.

O avanço das novas tecnologias de propulsão é apontado como um dos principais motores do otimismo para 2026. Em 2025, os veículos eletrificados apresentaram crescimento expressivo de 60,8%, atingindo 11,2% de participação no mercado total. No ano anterior, 73 mil unidades eletrificadas foram produzidas no Brasil, tendência que deve se intensificar com os investimentos de R$ 140 bilhões anunciados pelas montadoras para o país.

No segmento de caminhões pesados, a expectativa é de estabilização após a forte retração de 20,5% em 2025. Para 2026, a projeção é de queda de apenas 0,5%, reflexo do programa Move Brasil, criado para conter a desaceleração do setor. O aporte de R$ 10 bilhões em crédito busca destravar o mercado e garantir maior estabilidade ao longo do ano. “O programa destrava esse mercado, que estava vindo num processo bastante ruim. Ele é uma medida desfibrilatória”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Calvet definiu o cenário como de “otimismo contido”, ressaltando os diversos fatores de risco que podem impactar a produção nacional. “Estamos com o otimismo contido porque também é um ano que nos traz bastantes dúvidas e instabilidades”, destacou.

Entre os principais motivos de cautela estão as incertezas quanto ao cenário geopolítico global, o ritmo de redução das taxas de juros no Brasil, a regulamentação da reforma tributária e a eficácia operacional do Move Brasil. Diante desse contexto, a Anfavea reforçou que 2026 permanece “em aberto” em vários aspectos, exigindo revisões trimestrais das projeções conforme o desenrolar dos acontecimentos.