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Carta expõe novo capítulo em crise política do São Paulo: suspeita de áudio vendido e roubo forjado

Documento e gravações revelam pressão, pagamento por provas e tentativa de forjar furto em meio ao escândalo do uso irregular de camarote no MorumBis.

15/01/2026
Carta expõe novo capítulo em crise política do São Paulo: suspeita de áudio vendido e roubo forjado
- Foto: Pedro Guedes / São Paulo FC

Rita de Cássia Adriana de Prado, figura central no caso do uso irregular de um camarote no MorumBis, recuou e afirmou ter sido pressionada por opositores do presidente do São Paulo, Julio Casares, para vender o áudio que expôs o esquema. Segundo ela, o valor negociado teria sido de R$ 275 mil. Os citados foram procurados pela reportagem do Estadão, mas não responderam.

A declaração de Adriana foi formalizada em uma carta endereçada a Mara Casares, também gravada, com a presença de Douglas Schwartzman. Ambos eram diretores do clube e se licenciaram após a divulgação do caso. Em novo áudio, obtido pelo Estadão, Tom, marido de Adriana, conversa com Denis Ormrod, ex-conselheiro do São Paulo, sobre o acordo financeiro pela gravação.

Essas revelações surgem após a sindicância externa encomendada pelo São Paulo recomendar a revisão dos contratos assinados pelos dois diretores atualmente licenciados. Além disso, o impeachment de Julio Casares será votado nesta sexta-feira, tendo como uma das acusações o uso irregular do camarote.

A conversa entre Adriana, Mara e Douglas ocorreu porque a intermediária abriu um processo contra uma terceira pessoa, exigindo valores repassados. Os diretores solicitaram que a ação fosse encerrada para evitar a exposição pública do uso irregular do camarote.

No novo áudio, Tom e Ormrod discutem a possibilidade de simular o furto do celular que continha a gravação entre Adriana, Mara e Schwartzman. Tom relata que, em um encontro para esclarecimentos, houve pressão para a venda do áudio.

"Foi 'toma o dinheiro e me dá as provas. Eu só quero meia dúzia de áudio e está bom'", relatou Tom na gravação.

Além da carta e do áudio, foram divulgados dois cheques de R$ 100 mil cada, assinados por Ormrod, datados de 5 de janeiro e 5 de fevereiro de 2026. Também há comprovante de um Pix de R$ 75 mil em nome de Frederico SA Grilo, que teria sido devolvido. Ele é apontado como ligado a outros três conselheiros mencionados.

Na carta, Adriana nega qualquer irregularidade na cessão do camarote. No entanto, o espaço denominado "Sala Presidencial", citado no áudio, não é comercializável. "Nunca vi ou soube de nada que desabonasse a sua (de Mara) conduta na administração do camarote. Sempre admirei sua correção e transparência", escreveu Adriana.

"Diante do que aconteceu, suspeito que terceiros, entre eles Denis Ormrod, Vinicius Pinotti e Fábio Mariz, possam ter agido com a intenção de causar prejuízos, principalmente ao Julio, sem que isso representasse minha vontade ou consciência", acrescentou.

Pinotti é cotado como possível candidato da oposição nas eleições deste ano do clube. Denis Ormrod foi conselheiro, mas acabou expulso em 2021 por acusações de agressão. À época, alegou que sua exclusão ocorreu após tentar expor irregularidades na gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva (Leco), entre 2015 e 2020.