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Carta expõe novo capítulo em crise política do São Paulo: suspeita de áudio vendido e roubo forjado
Documento e gravações revelam pressão, pagamento por provas e tentativa de forjar furto em meio ao escândalo do uso irregular de camarote no MorumBis.
Rita de Cássia Adriana de Prado, figura central no caso do uso irregular de um camarote no MorumBis, recuou e afirmou ter sido pressionada por opositores do presidente do São Paulo, Julio Casares, para vender o áudio que expôs o esquema. Segundo ela, o valor negociado teria sido de R$ 275 mil. Os citados foram procurados pela reportagem do Estadão, mas não responderam.
A declaração de Adriana foi formalizada em uma carta endereçada a Mara Casares, também gravada, com a presença de Douglas Schwartzman. Ambos eram diretores do clube e se licenciaram após a divulgação do caso. Em novo áudio, obtido pelo Estadão, Tom, marido de Adriana, conversa com Denis Ormrod, ex-conselheiro do São Paulo, sobre o acordo financeiro pela gravação.
Essas revelações surgem após a sindicância externa encomendada pelo São Paulo recomendar a revisão dos contratos assinados pelos dois diretores atualmente licenciados. Além disso, o impeachment de Julio Casares será votado nesta sexta-feira, tendo como uma das acusações o uso irregular do camarote.
A conversa entre Adriana, Mara e Douglas ocorreu porque a intermediária abriu um processo contra uma terceira pessoa, exigindo valores repassados. Os diretores solicitaram que a ação fosse encerrada para evitar a exposição pública do uso irregular do camarote.
No novo áudio, Tom e Ormrod discutem a possibilidade de simular o furto do celular que continha a gravação entre Adriana, Mara e Schwartzman. Tom relata que, em um encontro para esclarecimentos, houve pressão para a venda do áudio.
"Foi 'toma o dinheiro e me dá as provas. Eu só quero meia dúzia de áudio e está bom'", relatou Tom na gravação.
Além da carta e do áudio, foram divulgados dois cheques de R$ 100 mil cada, assinados por Ormrod, datados de 5 de janeiro e 5 de fevereiro de 2026. Também há comprovante de um Pix de R$ 75 mil em nome de Frederico SA Grilo, que teria sido devolvido. Ele é apontado como ligado a outros três conselheiros mencionados.
Na carta, Adriana nega qualquer irregularidade na cessão do camarote. No entanto, o espaço denominado "Sala Presidencial", citado no áudio, não é comercializável. "Nunca vi ou soube de nada que desabonasse a sua (de Mara) conduta na administração do camarote. Sempre admirei sua correção e transparência", escreveu Adriana.
"Diante do que aconteceu, suspeito que terceiros, entre eles Denis Ormrod, Vinicius Pinotti e Fábio Mariz, possam ter agido com a intenção de causar prejuízos, principalmente ao Julio, sem que isso representasse minha vontade ou consciência", acrescentou.
Pinotti é cotado como possível candidato da oposição nas eleições deste ano do clube. Denis Ormrod foi conselheiro, mas acabou expulso em 2021 por acusações de agressão. À época, alegou que sua exclusão ocorreu após tentar expor irregularidades na gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva (Leco), entre 2015 e 2020.
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