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Eurovision completa 70 anos e lança turnê europeia em meio a boicotes por guerra em Gaza

Cinco países deixam a competição, que terá o menor número de participantes desde 2004; EBU aposta em shows para celebrar legado do festival

Agência O Globo - 16/01/2026
Eurovision completa 70 anos e lança turnê europeia em meio a boicotes por guerra em Gaza
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Eurovision Song Contest comemora 70 anos com o lançamento de sua primeira turnê oficial, anunciada pela União Europeia de Radiodifusão (EBU). A iniciativa prevê apresentações em dez cidades europeias entre junho e julho, reunindo nomes históricos do festival e participantes da edição de 2026, cuja final será realizada em Viena, em maio.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o anúncio ocorre em um contexto de tensão política e boicotes ligados à participação de Israel no evento. Cinco países — Irlanda, Espanha, Islândia, Holanda e Eslovênia — decidiram não participar da edição de 2026, em protesto contra a guerra em Gaza. Com isso, o número de concorrentes cai para 35, o menor desde a ampliação do formato em 2004.

A turnê está prevista para acontecer de 15 de junho a 2 de julho, logo após a final do concurso, marcada para 16 de maio, na capital austríaca. Londres e Paris estão entre as cidades confirmadas. De acordo com a EBU, os shows reunirão "artistas icônicos do Eurovision" e competidores da edição de 2026, que interpretarão tanto suas músicas apresentadas no festival quanto versões de canções marcantes das sete décadas do evento.

Considerado o maior evento musical transmitido ao vivo no mundo, o Eurovision tem enfrentado críticas crescentes por manter Israel entre os participantes. A emissora pública irlandesa RTÉ justificou sua saída citando "a perda de vidas em Gaza e a crise humanitária". Em dezembro, outras emissoras europeias também anunciaram a decisão de boicotar o festival, enquanto o vencedor de 2024, o suíço Nemo, devolveu o troféu como forma de protesto.

Apesar das polêmicas, Israel segue confirmado na competição e foi sorteado para se apresentar na primeira semifinal, em 12 de maio. A emissora israelense Kan celebrou a decisão da EBU de manter o país no evento e negou qualquer interferência política no sistema de votação. O presidente israelense, Isaac Herzog, afirmou que Israel "merece ser representado em todos os palcos do mundo".

A edição de 2025, realizada na Suíça, também foi alvo de questionamentos após acusações de manipulação do voto popular, já que Israel terminou em segundo lugar, atrás da Áustria. O vencedor austríaco, Johannes Pietsch, o JJ, chegou a defender uma edição sem Israel, mas voltou atrás e pediu desculpas pela repercussão negativa.

O desgaste também se reflete na audiência digital. O sorteio das semifinais, realizado nesta semana, foi acompanhado por cerca de 97 mil pessoas no YouTube, número inferior ao do ano anterior. Ainda assim, a EBU informou que os ingressos para a edição de Viena se esgotaram rapidamente, com recorde de vendas logo após a abertura das vendas online.