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Escândalo do Banco Master expõe rombo previdenciário, pressiona municípios e vira fantasma político em Maceió

A CPI que assombra o poder: Heloísa Helena no ataque e JHC também no foco do escândalo do Banco Master

Redação 15/01/2026
Escândalo do Banco Master expõe rombo previdenciário, pressiona municípios e vira fantasma político em Maceió
Escândalo envolvendo o Banco Master e o IPREV em Maceio amendronta os planos eleitorais de JHC

O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou contornos nacionais e passou a ocupar o centro do debate político e institucional no país. Investimentos malsucedidos de recursos previdenciários, suspeitas de crimes financeiros e falhas graves de fiscalização colocaram municípios e gestores públicos sob pressão, com a perspectiva concreta de devolução de valores milionários aos fundos de previdência.
Reportagens recentes apontam que prefeituras e órgãos públicos que aplicaram recursos previdenciários no Banco Master poderão ser responsabilizados, inclusive com a obrigação de recompor os cofres dos institutos atingidos. O entendimento é claro: ainda que a gestão financeira tenha sido terceirizada, o dever de zelo sobre o dinheiro dos servidores permanece com o ente público.

CPI e o recado direto de Heloísa Helena


No Congresso Nacional, a deputada federal Heloísa Helena tornou-se uma das principais vozes na cobrança pela instalação da CPI do Banco Master. Em pronunciamentos e publicações nas redes sociais, a parlamentar afirmou que o banco teria sido utilizado como instrumento de crimes financeiros, envolvendo depósitos incompatíveis com renda declarada, operações atípicas, empresas de fachada e falhas graves de fiscalização.
O tom adotado por Heloísa Helena não deixou margem para acordos de bastidores. Ao defender a CPI, ela foi direta: “quem for podre, que se quebre”. Para a de-putada, a comissão precisa investigar todos os envolvidos, sem blindagens políticas, alcançando gestores, intermediários e órgãos que se omitiram no dever de fiscalizar.

Maceió no epicentro do problema


Em Maceió, o escândalo assume proporções ainda mais delicadas. Durante a gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC), cerca de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (IPREV) foram aplicados no Banco Master. O resultado foi devastador: os recursos ficaram comprometidos, e o fundo previdenciário passou a enfrentar um rombo que ameaça a segurança futura de aposentadorias e pensões.
Com o banco sob escrutínio judicial e no centro de investigações, o IPREV “ficou a ver navios”, enquanto cresce a possibilidade de que o município tenha de repor integralmente os valores perdidos, com impacto direto nas contas públicas.

Fantasma político e calafrios eleitorais


O caso deixou de ser apenas um problema contábil ou jurídico e se transformou em um fantasma político para JHC. Pré-candidato ao Governo de Alagoas, o prefeito vê sua trajetória ser assombrada pelo episódio do Banco Master, que passou a rondar sua gestão como uma sombra permanente.
Nos bastidores, o escândalo é descrito como um fator que provoca calafrios no núcleo político do prefeito. A aplicação milionária no fundo previdenciário, agora sob suspeita, põe em xeque o discurso de eficiência administrativa e responsabilidade fiscal — pilares essenciais para quem pretende disputar um cargo majoritário em nível estadual.

Responsabilidade e efeito dominó


O avanço das investigações e a possível instalação da CPI prometem ampliar o alcance do caso. Outros municípios, estados e fundos que mantiveram relações com o Banco Master também podem ser chamados a explicar decisões, contratos e aplicações.
Para especialistas em gestão pública, o episódio expõe um problema estrutural: a terceirização do risco sem fiscalização adequada, especialmente quando se trata de dinheiro previdenciário. A conta, como quase sempre, recai sobre o poder público — e, em última instância, sobre os servidores e a população.
Enquanto o Congresso debate a CPI e a Justiça aprofunda o escrutínio sobre o Banco Master, o recado que ecoa de Brasília é claro: não haverá blindagem política. E, como advertiu Heloísa Helena, neste caso, “quem for podre, que se quebre”. Em Maceió, o fantasma já está à porta da casa política do prefeito.