Alagoas
Prefeitura paga R$ 600 mil por show em trio elétrico de Léo Santana e cidade vive seu próprio “Rebolation” financeiro
A contratação do cantor Léo Santana por R$ 600 mil para se apresentar no Bloco do Povo, durante o pré-carnaval de Palmeira dos Índios, expõe um contraste gritante entre festa e realidade administrativa no município. O valor, publicado no Diário Oficial do Município, refere-se exclusivamente ao cachê do artista — despesas como trio elétrico, som, iluminação, segurança e logística serão pagas à parte, elevando ainda mais o custo final do evento
leo santana
O show está marcado para o dia 4 de fevereiro de 2026, contratado por inexigibilidade de licitação, com base na Lei 14.133/2021, sob a justificativa de se tratar de artista consagrado. Do ponto de vista do mercado, não há questionamento: o artista cobra o que entende valer, e paga quem quer. A crítica, portanto, não recai sobre Léo Santana — recai sobre quem decide gastar.
O problema é o contexto. Palmeira dos Índios enfrenta atrasos no pagamento de prestadores de serviço, há contratados sem receber o mês de janeiro, e trabalhadores foram colocados em recesso compulsório, sem a correspondente remuneração pelos dias trabalhados. Enquanto isso, há fôlego orçamentário para desembolsar R$ 600 mil em uma única atração de pré-carnaval.
Além do Bloco do Povo, a programação contará com blocos privados — como Andorinhas, Catapulta e Pecinhas — que também movimentam recursos e logística, reforçando a pergunta que ecoa nas ruas: prioridades para quem?
O trocadilho é inevitável. O primeiro grande sucesso de Léo Santana foi “Rebolation”. Em Palmeira dos Índios, a cidade se rebola para pagar o show, mas não se rebola com a mesma urgência para pagar quem trabalha, para honrar contratos, garantir serviços básicos e colocar comida na mesa do trabalhador palmeirense.
Festa é importante, cultura é necessária e o carnaval movimenta a economia. Mas planejamento e responsabilidade fiscal também são. Quando o brilho do trio elétrico contrasta com salários atrasados, o espetáculo deixa o palco e passa a ocupar a pauta pública. No ritmo do axé, a pergunta fica: quem vai pagar a conta desse Rebolation?
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