Vida Esportiva

Vídeo inédito reacende suspeitas de negligência médica na morte de Maradona

Imagens mostram ausência de equipamentos médicos na casa do craque argentino

Agência O Globo - 24/04/2026
Vídeo inédito reacende suspeitas de negligência médica na morte de Maradona
Diego Maradona - Foto: Reprodução

O novo julgamento sobre a causa da morte de Diego Armando Maradona abriu um novo capítulo nas investigações nesta quinta-feira. Durante audiência no tribunal de San Isidro, tanto a família quanto os juízes envolvidos no caso assistiram a um vídeo inédito de 17 minutos, gravado no leito de morte do craque argentino. As imagens mostram Maradona deitado em sua cama, na própria casa, local onde foi declarado morto, apresentando rosto e abdômen bastante inchados. Não havia qualquer equipamento médico no quarto.

A exibição do vídeo comoveu profundamente os familiares do astro; alguns choraram intensamente, enquanto outros preferiram esconder o rosto durante a sessão.

O socorrista Juan Carlos Pinto, que chegou de ambulância à residência de Maradona, relatou ao tribunal que encontrou o ex-jogador com inchaços anormais no corpo.

— O rosto estava muito inchado. Havia edema nos membros e o abdômen tinha aspecto globoso, como um balão — afirmou o médico.

Ao analisar as imagens, o profissional disse acreditar que o quadro foi causado por um acúmulo significativo de gordura e ascite, condição caracterizada pela presença anormal de líquido na cavidade abdominal, frequentemente associada à cirrose hepática.

Além do inchaço, o médico também destacou a ausência de equipamentos médicos no quarto, o que enfraqueceria a tese de que Maradona recebia atendimento especializado em casa após a cirurgia no cérebro que antecedeu sua morte.

— Não havia desfibrilador, nem oxigênio, nada. No quarto, não havia nada que indicasse que o paciente estava internado em casa — concluiu o socorrista.

Um policial presente na casa quando Maradona foi declarado morto confirmou que não havia equipamentos médicos no local.

Novo julgamento

A nova investigação sobre a morte de Maradona foi iniciada na última terça-feira. Sete profissionais de saúde são investigados por suspeita de negligência e acusados de homicídio.

Entre os réus estão um psiquiatra, um neurocirurgião, um psicólogo, dois médicos, um enfermeiro e um enfermeiro-chefe, todos responsáveis pelos cuidados do craque. Uma oitava profissional será julgada separadamente. Os acusados negam qualquer responsabilidade, alegando que Maradona morreu por causas naturais.

No ano passado, houve uma primeira tentativa de retomada do caso, mas as investigações e o julgamento foram anulados após a renúncia de um dos juízes. Na época, a promotoria argumentou que os profissionais não seguiram os protocolos médicos adequados.

A defesa sustenta que a morte do jogador era inevitável, em razão dos problemas de saúde acumulados ao longo dos anos.

Caso condenados, os profissionais de saúde podem receber penas que variam de 8 a 25 anos de prisão. O julgamento ocorre na Argentina, com duas sessões semanais, sempre às terças e quintas-feiras.

Maradona morreu em 2020, aos 60 anos, três semanas após uma cirurgia no cérebro. O ex-jogador foi diagnosticado com insuficiência cardíaca e edema pulmonar agudo, condição em que há acúmulo de líquido nos pulmões.