RJ em Foco
Quem é Rogeria Bolsonaro, mãe de Flávio: candidata foi a única da família a não se eleger
Trajetória com eleições como vereadora e um polêmico apoio a Jair Bolsonaro.
Rogeria Bolsonaro (PL), ex-vereadora e mãe do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, não foi eleita deputada federal. A ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concorreu pelo Rio de Janeiro e recebeu 65 mil votos, insuficientes para levá-la a uma cadeira no Congresso Nacional. Segundo a Justiça Eleitoral, ela será suplente do partido na Câmara dos Deputados. Este ano, a legenda apostou que o sobrenome ajudaria a elegê-la e destinou R$ 1 milhão para a campanha.
Esta é a segunda derrota eleitoral de Rogeria Nantes Braga Bolsonaro em 30 anos. Desde a separação de Jair Bolsonaro, em 1997, ela, que também é mãe de Eduardo Bolsonaro e de Carlos Bolsonaro, disputou três eleições, mas não conseguiu se eleger. Sua trajetória política começou naquela década, quando conquistou uma cadeira na Câmara Municipal do Rio. Anos depois, chegou a disputar uma eleição contra o próprio filho, Carlos Bolsonaro, que contou com o apoio do pai.
Em agosto do ano passado, a casa de Rogeria Bolsonaro em Resende, interior do Rio, foi assaltada. Três pessoas foram presas acusadas de participar do crime. O crime ocorreu no dia 24 de agosto, quando Rogeria e os avós de Flávio Bolsonaro foram rendidos e mantidos reféns por cerca de duas horas. Da casa, os criminosos levaram joias, celulares e o carro da família, que foi abandonado em seguida em uma área rural. A pessoa apontada no mês seguinte pela polícia como responsável por dar cobertura ao bando que invadiu a casa foi Eliane da Silva, conhecida como Lili, presa em flagrante ao lado de dois cúmplices. A ação da Polícia Civil ocorreu em 29 de agosto, após cinco dias de investigação da 89ª DP (Resende). Grávida, Lili, segundo a Polícia Civil, tentou enganar os agentes se deitando na cama e fingindo passar mal, enquanto escondia sob o corpo o revólver usado no crime.
No imóvel foram apreendidos um revólver cromado com numeração raspada, munições de diversos calibres — incluindo de fuzil .50 —, balaclavas, roupas camufladas, celulares, drogas, balança de precisão e sacolés. Na garagem estavam dois automóveis, um Fiat Palio Weekend branco, usado na ação, e um Ford Fiesta prata.
As vítimas reconheceram os objetos roubados, além de identificarem Vitor Hugo como um dos homens que entrou armado na residência. A polícia atribui a Lili o papel de dar cobertura ao grupo, inclusive por possível vínculo familiar com um dos assaltantes.
Investimentos recentes em campanha
Em 2020, as cifras da campanha de Rogeria Bolsonaro pelo Republicanos foram cinco vezes menores. Sua equipe apostou numa campanha digital, e 40% do valor foi gasto em publicidade.
Em 2019, Rogeria Bolsonaro assumiu um cargo comissionado na Assembleia Legislativa do Rio, parlamento onde Flávio atuou por 16 anos. O parlamentar era Anderson Moraes, do PSL. O cargo era um CCDAL-4, que dava direito a um salário bruto de R$ 7.326,64, ou R$ 5.715,48 líquidos.
"A ex-vereadora Rogeria Bolsonaro teve convite de vários gabinetes para trabalhar, e fiquei muito honrado que ela escolheu o meu. Ela tem vasta experiência no legislativo, com dois mandatos, e vai contribuir bastante na atuação política", declarou ele ao EXTRA na época da nomeação.
Em suas redes sociais, a ex-vereadora se pronunciou sobre as notícias após a publicação, em tom de defesa, dizendo que se tratavam de "comentários maldosos".
Pronunciamento em polêmica
Em 2016, depois que o ex-presidente Jair Bolsonaro virou réu em duas ações por incitação ao estupro em um incidente com a deputada do PT Maria do Rosário, em 2014, Rogeria Bolsonaro defendeu o ex no Facebook. Em carta aberta publicada em seu perfil na rede social, a ex-vereadora do Rio de Janeiro (eleita em 1992 e 1996) afirmou que o pai de seus filhos "jamais estimulou o estupro".
"Sou Rogéria Bolsonaro, ex-esposa de Jair Bolsonaro e mãe do Flávio, Carlos e Eduardo. Venho a público, e espontaneamente, em sua defesa da acusação de incentivo ao estupro e suas variantes. O conheci ainda muito jovem e convivo bem até hoje com o pai de meus filhos. Durante todo esse tempo, nunca vi nada referente a que ele tivesse esse desvio de comportamento. É um homem normal com suas qualidades e defeitos que todo ser humano tem. Agora vem a mídia ratificando e já execrando-o publicamente com essa acusação absurda, inverídica e nefasta. É assustador, revoltante e nojento tudo isso. Tenho certeza que Jair Bolsonaro será absolvido simplesmente porque é inocente, simplesmente porque jamais estimulou o estupro, sempre o contrário, inclusive com atuação parlamentar extremamente oposta à acusação. A verdade prevalecerá e passará todo esse desconforto de situação agressiva, desagradável e desrespeitosa pra nossa família. Deus acima de tudo!"
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