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Projeto Horto Maravilha prevê reformas em comunidade que garantiu permanência no Jardim Botânico

Iniciativa da prefeitura vai regularizar saneamento básico local e reformar áreas de lazer degradadas; investimento será de cerca de R$ 9 milhões

Agência O Globo - 25/04/2026
Projeto Horto Maravilha prevê reformas em comunidade que garantiu permanência no Jardim Botânico
O prefeito Eduardo Cavaliere - Foto: Reprodução

O prefeito Eduardo Cavaliere se reuniu neste sábado com moradores do Horto, no Jardim Botânico, Zona Sul, para detalhar as reformas urbanísticas que serão iniciadas em outubro, conforme previsão da prefeitura. As disciplinas inserem a comunidade no projeto Bairro Maravilha, um exemplo do que já ocorreu na Zona Portuária. Segundo Cavaliere, o Horto será referência em revitalização "verde", priorizando materiais sustentáveis ​​e a preservação ambiental. O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 9 milhões.

O encontro aconteceu por volta das 11h30 no Largo das Pedras, uma das áreas que receberão melhorias. O piso de terra batida será substituído por blocos intertravados drenantes, atendendo à demanda de cerca de 621 famílias para que não seja aplicado asfalto nas vias. A mesma solução será adotada no Grotão, área vizinha.

O projeto Horto Maravilha também prevê a regularização do saneamento básico, com melhorias nos sistemas de água e esgoto. Entre as ações estão a reforma do parquinho e da quadra comunitária, a instalação de uma academia ao ar livre para idosos e a criação de uma "biblioteca verde", com acervo dedicado à memória local e à Mata Atlântica, bioma predominantemente na região.

— A prefeitura assumiu um conjunto de compromissos e responsabilidades junto ao Governo Federal para viabilizar toda essa reforma. Estamos investindo em água, saneamento e drenagem para que os moradores possam falar e sentir que estão 100% de acordo com a lei. Ninguém poderá culpar a comunidade do Horto por eventuais problemas que possam interferir no Jardim Botânico — afirmou Cavaliere.

O prefeito ressaltou ainda que a poda de árvores, a retirada de lixo e a manutenção da iluminação pública estão entre as atribuições do município. “É todo um investimento pensado para dar dignidade a vocês, que viveram anos e anos de injustiças”, completou.

Acordo histórico

A comunidade do Horto começou a se formar há mais de um século, quando pessoas escravizadas e funcionários do Jardim Botânico construíram os primeiros imóveis no terreno. Na década de 1980, processos de desapropriação movidos pelo parque e pelo Ministério Público Federal ameaçaram a permanência dos moradores, que durante quatro décadas sob risco de despejo. Apenas em outubro do ano passado foi firmado um acordo entre diferentes entidades para regularizar a situação. Na ocasião, a prefeitura se comprometeu a executar os serviços urbanísticos apresentados neste sábado.

O acordo foi assinado pelo Jardim Botânico, Associação de Moradores do Horto (Amahor), União — por meio da Secretaria-Geral da Presidência da República —, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União.

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O principal argumento dos que defendiam a retirada das famílias era o risco de expansão da comunidade sobre áreas de preservação do parque. Já os defensores da permanência alegavam que o crescimento era demográfico, sem invasão de novos terrenos. Pelo acordo, ficou definido que não será permitida a venda, aluguel ou uso comercial das residências, e todos deverão zelar para evitar o crescimento desordenado.

Para Fábio Dutra, presidente da Amahor, as melhorias são um avanço histórico: “As pessoas pensam que não queremos regras aqui.