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Documento conclui asfixia mecânica como causa da morte de homem preso por matar miss na Barra da Tijuca

Segundo a Polícia Civil, Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, de 32 anos, se enforcou com a própria bermuda na carceragem da delegacia horas após ser preso

Agência O Globo - 24/04/2026
Documento conclui asfixia mecânica como causa da morte de homem preso por matar miss na Barra da Tijuca
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Peritos do Instituto Médico Legal (IML) concluíram que a causa da morte de Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, de 32 anos, foi asfixia mecânica por aplicação. Ele foi preso na última quarta-feira pela suspeita de matar a namorada e influenciou Ana Luiza Mateus, de 29 anos, jogando no 13º andar de um apartamento na Barra da Tijuca. Segundo a Polícia Civil, Endreo se executou com a própria bermuda dentro da carceragem da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), responsável pelo caso.

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A causa da morte consta na declaração de óbito de Endreo, concluída na quinta. Nesse mesmo dia, os parentes dele foram ao IML para fazer a liberação do corpo acompanhado por um advogado. Segundo ele, a família está "muito abalada" e não se manifestará sobre o caso.

Feminicídio contra miss

Segundo um amigo de Ana, ela e Endreo conheceram um shopping da Barra da Tijuca. No carnaval, ele foi convidado para um camarote na Sapucaí e, logo depois, conheceu um namoro. Endreo teria se apresentado a ela com o nome do irmão, afirmando também que era estudante de Medicina. Ao ser preso, ele manteve a identidade trocada — a correção foi feita pela Polícia Civil na noite de ontem.

Testemunhas contaram ao delegado Renato Martins, da DHC, responsável pela investigação, que o casal vivia uma relação conturbada. Durante a madrugada de quarta, ao menos duas foram divulgadas, motivadas, como se descobriram depois, pela compra de uma passagem de ônibus para Teixeira de Freitas, no Sul da Bahia, onde Ana nasceu e tinha família. A viagem, segundo o policial, foi apurada por ela para sair da relação, iniciada há três meses.

O delegado explicou também que Endreo foi visto saindo do apartamento na Barra de forma agressiva, chegando a dar um soco nas portas do condomínio. Depois, ele teria trocado mensagens com Ana, devolvido para o apartamento e começou uma nova briga. Alarmados com o barulho provocado pela discussão, vizinhos chamaram funcionários da portaria, mas eles só chegaram depois da morte.

— Quando a gente chegou, ele estava chorando e ensanguentado ao lado da vítima. Ele foi até lá e mexeu na posição do corpo. Mexeu em diversas situações. Para nós, tudo isso foi feito para tentar desprezar a perícia. Temos outros elementos e condições técnicas que demonstram que uma vítima foi impulsionada para a queda — enfatiza o delegado Renato Martins.

Em depoimento, Endreo contou aos agentes que sentiram ciúmes de Ana Luiza e não aceitaram a exposição dela nas redes sociais, onde acumulou mais de 40 mil seguidores e fez publicidade de marcas, restaurantes, passeios e procedimentos estéticos.

— Ele relatou que tinha ciúmes da vítima. Disse que ela era muito assediada e que ele não conseguia superar isso. Essa insegurança que ele tinha fazia com que ele tentasse prejudicar a vítima, que a tentasse controlar. Ele não gostou, inclusive, que a vítima saiu sozinha. Isso tudo acabou levando a essa tragédia — concluiu o delegado

Histórico de violência contra mulheres

Em 3 de novembro do ano passado, Endreo recebeu um mandado de prisão expedido pela Justiça do Mato Grosso do Sul, onde nasceu, após ter sido acusado de uma ex-namorada de tortura, cárcere privado, estupro e outras agressões. Os crimes foram registrados numa delegacia em 29 de outubro. Além disso, há outros dois processos contra ele por violência doméstica contra mulheres, sendo o mais antigo de 2023.

Em depoimento, a ex-namorada revelou que Endreo agiu por ciúmes, obrigando-a a confessar relacionamentos com terceiros — que aconteceram após um término.

— Ele disse que eu iria me matar numa fazenda e, depois, eu jogaria o alto de uma cachoeira. Ele passou horas falando para mim as formas como ele ia me matar. Levei muito tempo para convencê-lo a me deixar ir para uma UPA, estava muito machucado. Ele permitiu, mas ficou com todos os meus pertences, até meu cachorro. Depois, sumiu. Só voltei a saber dele agora, com a notícia da Ana — expõe a ex-namorada.