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Lojistas ainda limpam estabelecimentos, calculam prejuízos e adiam reabertura no Shopping Tijuca após incêndio

No subsolo, onde o incêndio começou, e parte do pavimento térreo seguem interditados, por terem sido as áreas mais diretamente impactadas

Agência O Globo - 17/01/2026
Lojistas ainda limpam estabelecimentos, calculam prejuízos e adiam reabertura no Shopping Tijuca após incêndio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Duas semanas após o incêndio que matou dois funcionários e deixou três pessoas feridas, a retomada das atividades no Shopping Tijuca segue em ritmo desigual entre os lojistas. Enquanto algumas lojas já reabriram, outras permanecem fechadas, dedicando-se à limpeza, avaliação dos danos e reorganização dos espaços. Para muitos comerciantes, o foco neste momento ainda não é a reabertura, mas sim compreender a extensão dos prejuízos causados pelo fogo e pela fumaça.

O ambiente ainda carrega cheiro de fumaça, com funcionários usando máscaras e diversas lojas fechadas:

No primeiro piso, a loja de perfumes World Free é uma das que ainda não têm previsão de reabertura. A gerente da unidade, Alessandra Torres, afirma que o retorno deve demorar pelo menos mais dez dias.

— A gente ainda vai demorar uns dez dias para reabrir, porque estamos calculando o que foi perdido e fazendo manutenção. Tem estantes e outras partes da estrutura que estão sendo pintadas de novo — explicou a lojista.

Segundo Alessandra, apesar de o shopping ter liberado o acesso às lojas no sábado, a equipe decidiu iniciar os trabalhos apenas na segunda-feira.

— O acesso foi liberado no sábado, mas preferimos começar na segunda para nos organizarmos melhor, contratar equipe de limpeza e planejar com calma.

Ao retornar à loja após o incêndio, a equipe encontrou um cenário que demandava muito trabalho.

— Estava bem suja, com muita poeira vinda pelos dutos do ar. Algumas prateleiras ficaram "assadas", então além de limpar, é preciso pintar.

Na loja de perfumes, os impactos foram ainda mais delicados. Parte das mercadorias foi danificada, especialmente no estoque.

— Algumas caixas molharam, entrou um pouco de água, principalmente no estoque, onde a situação foi mais complicada devido ao calor. Muitos produtos estão sendo separados para envio à seguradora. Só conseguimos acessar o estoque ontem; antes disso, focamos na limpeza do chão e na abertura de caminho para circular e separar os produtos.

O dia do incêndio

Alessandra relembra o momento em que as lojas precisaram ser evacuadas rapidamente. Ela relata que a orientação para evacuar foi imediata quando o fogo se intensificou.

— Alguém foi ao banheiro e percebeu uma movimentação perto da escada rolante. Já havia seguranças orientando as pessoas a se afastarem. No início, parecia controlado, mas de repente a situação saiu do controle.

O cenário se repete em outras lojas do shopping. Em estabelecimentos de joias, por exemplo, a retomada tem sido manual e demorada. As peças expostas ficaram extremamente empoeiradas e precisam ser higienizadas uma a uma antes de voltarem às vitrines.

Nos corredores, ainda é possível ver lojas fechadas, com fachadas cobertas por painéis do próprio shopping. Esses espaços seguem em manutenção, reorganização ou avaliação dos danos.

O Corpo de Bombeiros informou que o subsolo — onde o incêndio teve início — e parte do pavimento térreo permanecem interditados, pois foram as áreas mais afetadas. A liberação total do shopping depende da recuperação completa desses espaços e da recomposição dos sistemas de segurança contra incêndio e pânico.

Até lá, a retomada das atividades pelos lojistas ocorre em ritmos diferentes, marcada por incertezas, custos extras e muito trabalho fora do horário habitual.

— Agora é limpar, organizar e entender o que realmente foi perdido — resume Alessandra.

Para a reabertura do shopping, o Corpo de Bombeiros realizou vistoria técnica e fiscalização da edificação, focando exclusivamente na avaliação das condições de segurança contra incêndio e pânico.