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À polícia, funcionário afirmou que hidrante de loja que causou incêndio no Shopping Tijuca estava sem água

Combate às chamas começou com o supervisor Anderson Aguiar do Prado, um dos mortos, e o brigadista Michael Oberdan Ramos Ribeiro, que se encontra em recuperação

Agência O Globo - 15/01/2026
À polícia, funcionário afirmou que hidrante de loja que causou incêndio no Shopping Tijuca estava sem água
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Em depoimento à polícia, um funcionário da loja Bell'Art, foco do incêndio no Shopping Tijuca, afirmou que o hidrante do estabelecimento estava sem água e que, para combater às chamas, foi necessário emendar a mangueira e pegar água de um quiosque. Toda essa ação, como revelou, foi realizada pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado, um dos mortos, e o brigadista Michael Oberdan Ramos Ribeiro, que se encontra em recuperação.

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Na oitiva, o funcionário também contou que Anderson e Michael estavam "sem qualquer roupa de proteção e de combate" e que os demais brigadistas, ao chegarem na loja, pediram para que eles se retirassem. No entanto, o rapaz conta que, até a saída dele do local, os dois permaneceram por lá.

Nesta quinta-feira, os três brigadistas que formavam a equipe vão ser ouvidos na 19ª DP (Tijuca), que investiga o caso. Os investigadores querem saber qual protocolo foi seguido, se houve dificuldades durante a atuação e se faltou algum tipo de equipamento no momento do combate às chamas.

Perícia é essencial para investigação

Para a Polícia Civil, é essencial que o subsolo seja liberado para a realização da perícia, pois será esse procedimento que irá esclarecer a origem do incêndio. Enquanto essa etapa não é concluída, os investigadores seguem realizando diligências e ouvindo testemunhas para verificar se os procedimentos e protocolos adotados foram adequados.

Os investigadores apuram se houve demora para acionar o Corpo de Bombeiros, se o protocolo de evacuação foi seguido corretamente e se existiam registros de outras vistorias na loja Bell’Art, onde o incêndio começou, apontando irregularidades. A polícia também investiga se o shopping, como administrador do espaço, poderia ter adotado outras medidas diante dos riscos de incêndio identificados em uma vistoria de rotina realizada dias antes do incidente.

Com fotos e descrições detalhadas, o relatório dessa vistoria alertava para a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos armazenados acima da altura permitida dos bicos do sistema de sprinklers, utilizado no primeiro combate às chamas. O documento foi elaborado no dia 27 de dezembro pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado e pela brigadista Emellyn Silva Aguiar, que morreram no incêndio.

A Bell’Art ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Nesta quarta-feira, um representante da loja esteve na delegacia para prestar depoimento.

A posição do Shopping Tijuca

Em nota, o Shopping Tijuca informa que "Anderson Prado possuía formação como bombeiro civil e ampla experiência como brigadista. No entanto, havia sido promovido e, à época, exercia a função de supervisor de mall, cuja atribuição era atender ao chamado da loja Bell’Art por meio do botão antipânico, avaliar a situação e acionar os protocolos adequados. Cabe à investigação esclarecer o que ocorreu naquele momento. O shopping reconhece a atuação do colaborador e destaca sua heróica dedicação no exercício das funções".

Já com relação ao hidrante, o centro comercial lega que "é importante esclarecer que, embora a manutenção e a verificação do funcionamento dos equipamentos internos das lojas sejam de responsabilidade dos próprios lojistas, conforme previsto nas normas e contratos aplicáveis, o shopping também conduz apuração interna para verificar todas as causas e responsabilidades relacionadas ao ocorrido. Todas as informações foram encaminhadas às autoridades competentes, inclusive as notificações feitas aos proprietários da Bell’Art acerca de pendências identificadas, com solicitação de providências".

Ainda de acordo com o shopping, "para o primeiro combate ao incêndio, até a chegada e assunção da ocorrência pelo Corpo de Bombeiros, a brigada do shopping, devidamente equipada, incluindo outro integrante mencionado pela reportagem, utilizou o sistema de combate a incêndio disponível no corredor do subsolo. O shopping reafirma sua colaboração permanente com as autoridades competentes, colocando-se à disposição para contribuir com o pleno esclarecimento dos fatos."

O incêndio

O incêndio atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte, no início da noite do dia 2. Segundo o Corpo de Bombeiros, os quartéis da Tijuca e de Vila Isabel foram acionados às 18h28 para o combate às chamas, que teriam começado em uma loja de decoração. No início da madrugada foi confirmada a informação de que duas pessoas morreram. Entre as vítimas fatais, estavam o supervisor de brigadistas Anderson Aguiar do Prado, que chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar, e a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, retirada do estabelecimento no início da madrugada deste sábado. Ela não apresentava sinais de queimaduras e a primeira hipótese é de que a morte tenha acontecido por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.