RJ em Foco
Hidrante de loja que causou incêndio no Shopping Tijuca estava sem água, diz funcionário à polícia
Supervisor Anderson Aguiar do Prado, uma das vítimas fatais, e o brigadista Michael Oberdan Ramos Ribeiro iniciaram combate às chamas sem proteção adequada
Em depoimento à polícia, um funcionário da loja Bell'Art, onde teve início o incêndio no Shopping Tijuca, relatou que o hidrante do estabelecimento estava sem água. Para tentar conter as chamas, foi preciso improvisar: a mangueira foi emendada e a água utilizada veio de um quiosque. Toda a ação, segundo o relato, foi realizada pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado, uma das vítimas fatais, e pelo brigadista Michael Oberdan Ramos Ribeiro, que está em recuperação.
Durante a oitiva, o funcionário afirmou ainda que Anderson e Michael atuaram sem qualquer roupa de proteção ou equipamento de combate a incêndio. Outros brigadistas, ao chegarem ao local, orientaram que ambos deixassem a loja, mas, de acordo com o depoente, eles permaneceram no interior do estabelecimento até sua saída.
O Shopping Tijuca foi procurado pela reportagem para comentar as informações, mas ainda não se pronunciou.
Os três brigadistas que compunham a equipe do shopping devem prestar depoimento nesta quinta-feira na 19ª DP (Tijuca), responsável pela investigação. Os investigadores buscam esclarecer quais protocolos foram seguidos, eventuais dificuldades durante o combate ao fogo e se houve falta de equipamentos de segurança no momento do incidente.
Perícia será decisiva para elucidar causas
A Polícia Civil considera fundamental a liberação do subsolo para a realização da perícia, que poderá determinar a origem do incêndio. Enquanto isso não ocorre, os agentes seguem ouvindo testemunhas e apurando se os procedimentos adotados estavam corretos.
A investigação também analisa se houve demora para acionar o Corpo de Bombeiros, se o protocolo de evacuação foi devidamente seguido e se já existiam registros de irregularidades em vistorias anteriores na loja Bell’Art. A polícia apura ainda se o shopping, como administrador do espaço, poderia ter adotado medidas preventivas diante dos riscos identificados em uma vistoria de rotina feita dias antes do incidente.
O relatório dessa vistoria, elaborado em 27 de dezembro pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado e pela brigadista Emellyn Silva Aguiar, também vítima fatal, apontava a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos armazenados acima da altura permitida dos bicos do sistema de sprinklers – utilizado no primeiro combate às chamas.
A Bell’Art ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. Na quarta-feira, um representante da loja compareceu à delegacia para prestar depoimento.
O incêndio
O incêndio atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, no início da noite do dia 2. Segundo o Corpo de Bombeiros, os quartéis da Tijuca e de Vila Isabel foram acionados às 18h28 para controlar as chamas, que teriam começado em uma loja de decoração. Na madrugada, foi confirmada a morte de duas pessoas: o supervisor Anderson Aguiar do Prado, que chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar, e a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, retirada do local no início da madrugada de sábado. Ela não apresentava sinais de queimaduras, e a principal hipótese é de morte por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.
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