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Brigadistas que atuaram em incêndio no Shopping Tijuca serão ouvidos pela Polícia Civil nesta quinta

Shopping vai reabrir nesta sexta-feira, com o subsolo e o térreo ainda interditados

Agência O Globo - 15/01/2026
Brigadistas que atuaram em incêndio no Shopping Tijuca serão ouvidos pela Polícia Civil nesta quinta
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai ouvir, nesta quinta-feira (4), os três brigadistas que atuaram durante o incêndio que atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte, no último dia 2. Os depoimentos são considerados fundamentais para esclarecer o protocolo adotado, eventuais dificuldades enfrentadas e a possível ausência de equipamentos durante o combate às chamas. Os profissionais trabalharam ao lado do supervisor Anderson Aguiar do Prado e da brigadista Emellyn Silva Aguiar, que perderam a vida durante a resposta inicial ao incêndio no subsolo.

Perícia ainda não realizada

Até o momento, a perícia no subsolo não foi realizada, pois o local precisa passar por estabilização para garantir a segurança das equipes técnicas. O Shopping Tijuca vai reabrir nesta sexta-feira (5), mas o subsolo e o térreo permanecerão interditados.

Em nota, o shopping informou que o retorno das atividades será gradual e facultativo, já que lojistas ainda estão reorganizando seus estoques e equipes. "A retomada das operações não diminui a profunda consternação pela perda de nossos queridos colaboradores Emellyn e Anderson; eles jamais serão esquecidos. Seguimos colaborando com as autoridades e agradecemos, de forma especial, ao Corpo de Bombeiros pela extraordinária e incansável dedicação, assim como aos demais órgãos envolvidos", diz o comunicado.

Depoimentos e apurações

Na última segunda-feira, o diretor de operações da CM Couto, empresa responsável pela brigada e equipamentos contra incêndio no shopping, prestou depoimento na 19ª DP (Tijuca). Segundo ele, a brigadista Emellyn Silva Aguiar pode ter se asfixiado após retirar a máscara de oxigênio, possivelmente por falta do gás. Ele também relatou que o sistema de alarme e detecção de incêndio da loja de decoração onde o fogo começou não funcionou.

Investigação e vistoria

Para a Polícia Civil, a realização da perícia no subsolo é essencial para esclarecer a origem do incêndio. Enquanto isso, os investigadores seguem ouvindo testemunhas e apurando se os protocolos de evacuação e combate foram seguidos corretamente. Também são analisados registros de vistorias anteriores na loja Bell’Art, onde o incêndio teve início, com foco em possíveis irregularidades.

Um relatório de vistoria, elaborado em 27 de dezembro por Anderson Aguiar do Prado e Emellyn Silva Aguiar, alertava para materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos armazenados acima da altura permitida dos sprinklers. O documento, com fotos e descrições detalhadas, indicava riscos que antecederam o incidente fatal.

A Bell’Art ainda não se pronunciou oficialmente. Nesta quarta-feira, um representante da loja esteve na delegacia para prestar depoimento.

O incêndio

O incêndio ocorreu no início da noite do dia 2 de janeiro. Conforme o Corpo de Bombeiros, os quartéis da Tijuca e Vila Isabel foram acionados às 18h28 para combater as chamas, que começaram em uma loja de decoração. Duas pessoas morreram — o supervisor Anderson Aguiar do Prado, que chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar, e a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, retirada do local na madrugada de sábado. Ela não apresentava sinais de queimaduras, e a principal hipótese é de morte por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.