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Shopping Tijuca reabre após incêndio, mas subsolo segue interditado

Doze dias após o incêndio, perícia policial ainda não foi concluída devido às condições do local

Agência O Globo - 14/01/2026
Shopping Tijuca reabre após incêndio, mas subsolo segue interditado
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Shopping Tijuca, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, reabre suas portas nesta sexta-feira (14), após permanecer fechado por 12 dias em decorrência do incêndio ocorrido no início do mês. Segundo a assessoria do centro comercial, a retomada das atividades será gradual e facultativa, permitindo que os lojistas reorganizem seus estoques e equipes antes de reabrirem ao público.

Durante o incêndio, ocorrido no dia 2, o supervisor Anderson Aguiar do Prado e a brigadista Emellyn Silva Aguiar perderam a vida ao atuarem no combate inicial às chamas. A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do caso. O subsolo e o térreo do shopping continuam interditados pelo Corpo de Bombeiros, o que impede a conclusão da perícia da Polícia Civil. A liberação desses espaços depende da estabilização total do ambiente para garantir a segurança das equipes técnicas responsáveis pela investigação.

Reabertura gradual e segurança

Em nota, a administração do Shopping Tijuca destacou que a reabertura será realizada de forma gradual, em respeito ao processo de reorganização dos lojistas. O comunicado ressalta ainda a consternação pela perda dos colaboradores Emellyn e Anderson, reafirmando o compromisso de colaboração com as autoridades e agradecendo ao Corpo de Bombeiros e demais órgãos envolvidos pelo trabalho incansável.

De acordo com o coronel bombeiro Tarciso Antonio de Salles Junior, secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (CBMERJ), os sistemas de segurança contra incêndio e pânico do shopping estão operando normalmente. "No momento, há uma interdição restrita à área onde ocorreu o incêndio. Em relação aos demais espaços do shopping, houve liberação para funcionamento normal. A parte do subsolo onde ocorreu o incêndio e o correspondente no primeiro piso permanecem interditados porque houve destruição e o local ainda está impraticável", explicou.

Perícia é fundamental para a investigação

A Polícia Civil aguarda a liberação do subsolo para realizar a perícia que irá esclarecer a origem do incêndio. Enquanto isso, os investigadores seguem ouvindo testemunhas e analisando se os protocolos de emergência foram devidamente seguidos. Entre os pontos apurados estão a possível demora no acionamento do Corpo de Bombeiros, o cumprimento do protocolo de evacuação e registros de vistorias anteriores na loja Bell’Art, onde o incêndio teve início.

Relatórios elaborados no dia 27 de dezembro por Anderson Aguiar do Prado e Emellyn Silva Aguiar, as vítimas fatais do incidente, já apontavam irregularidades, como a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos armazenados acima da altura permitida pelos sprinklers.

A loja Bell’Art ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Nesta quarta-feira, um representante esteve na delegacia para prestar depoimento, e outros três brigadistas que atuaram no combate ao incêndio serão ouvidos pela polícia.

O incêndio

O fogo atingiu o Shopping Tijuca no início da noite do dia 2, mobilizando equipes dos quartéis da Tijuca e de Vila Isabel, acionadas às 18h28. As chamas teriam começado em uma loja de decoração. O incêndio resultou na morte do supervisor Anderson Aguiar do Prado, que chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar, e da brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, retirada do local já na madrugada seguinte, sem sinais de queimaduras — a principal hipótese é de morte por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.