Política
Tarcísio confirma favoritismo e vence Haddad no 1º turno em SP
Reeleição marca um novo capítulo na política paulista
Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito neste domingo governador de São Paulo. Com 99,99% das urnas apuradas, ele obteve 62,65% (14.489.750) dos votos válidos, contra 36,42% (8.422.659) do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). Tarcísio já havia derrotado o petista na eleição anterior, mas no segundo turno. A disputa paulista não era definida na primeira rodada desde 2014, quando Geraldo Alckmin se reelegeu. Essa foi também a última vez que São Paulo reconduziu o chefe do Executivo ao cargo. O governador se torna o mais bem votado da História.
O resultado posiciona Tarcísio como um potencial candidato à Presidência em 2030, uma vez que, nos últimos anos, a cadeira de governador de São Paulo tem servido como trampolim para a disputa pelo Planalto, como aconteceu com Alckmin e o ex-governador José Serra. Tarcísio era cotado para suceder Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial deste ano, mas foi preterido por Flávio Bolsonaro (PL).
Com a vitória no primeiro turno, a expectativa da campanha de Flávio é que Tarcísio se envolva intensamente na disputa nacional, adotando um discurso de que é necessário derrotar o PT.
Uma vitória de Flávio, entretanto, pode apresentar um obstáculo para a candidatura presidencial de Tarcísio, já que o senador estaria habilitado a concorrer à reeleição. Ao longo da campanha, Flávio acenou ao governador que apoiará o fim da reeleição, abrindo assim espaço para Tarcísio buscar o Planalto, caso deseje.
Do outro lado, Haddad, considerado um dos nomes para suceder Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sofreu a quarta derrota eleitoral seguida, sendo que a última vitória foi na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2012.
ARTICULAÇÃO
A segunda vitória de Tarcísio foi mais tranquila do que a primeira. Ele liderou as pesquisas eleitorais do início ao fim, e a vitória veio sem maiores dificuldades. Quatro anos atrás, ele só superou o petista no momento em que as urnas foram abertas, necessitando do segundo turno para consolidar a vantagem.
Além disso, em 2022, menos de uma dezena de prefeitos apoiou o então ex-ministro da Infraestrutura, que acabara de chegar de Brasília. Com a máquina nas mãos e mais conhecido no meio político paulista, Tarcísio recebeu o apoio de mais de 600 mandatários municipais, sendo o principal deles o da capital, Ricardo Nunes (MDB), que teve participação ativa na campanha do aliado, retribuindo o gesto do governador no pleito municipal de dois anos atrás.
O mote da campanha de Tarcísio foi a continuidade. O governador defendeu que colocou São Paulo no caminho certo, pedindo mais quatro anos para terminar as obras iniciadas e ampliar programas lançados. Ele foi apresentado como um gestor eficiente e com sensibilidade social, capaz de realizar entregas e trazer prosperidade para a vida dos paulistas.
Dessa maneira, Bolsonaro e o bolsonarismo, que foram fundamentais para a vitória em 2022, ficaram em segundo plano. Outra mudança foi a ausência de Gilberto Kassab (PSD). Antes peça indispensável na articulação política e na coordenação da campanha, o cacique partidário acabou sendo deixado de lado após tentar, sem sucesso, ser o vice na chapa do governador. Tarcísio optou por manter a dobradinha com o vice-governador Felício Ramuth, que trocou o PSD pelo MDB.
Quem ganhou espaço foi Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, que já havia substituído Kassab na Secretaria de Governo no início do ano.
Carneiro ficou responsável por coordenar a campanha e formar uma ampla coligação do governador com 10 partidos. Esse movimento esvaziou as candidaturas de centro e de direita, transformando a votação de ontem em um segundo turno antecipado entre Tarcísio e Haddad.
OBRAS
Para o segundo mandato, o governador prometeu universalizar o saneamento básico até 2029 com a privatização da Sabesp, melhorar o desempenho dos alunos em matemática e priorizar obras que melhorem a qualidade de vida na periferia.
"Podem esperar um governo muito focado no cidadão, muito próximo das periferias, um governo que vai olhar a dor das pessoas e que vai procurar caminhar junto das vocações de São Paulo", declarou o governador ao votar pela manhã.
Está prevista a conclusão do Trem Intercidades Campinas-São Paulo e de parte das obras que compõem o projeto do novo Centro Administrativo, aposta do governador para revitalizar o centro da capital paulista, após as ações do primeiro mandato, que tinham como objetivo esvaziar a Cracolândia.
A campanha de Tarcísio também buscou dar atenção especial às mulheres. Ele começou o período eleitoral com uma roda de conversas com eleitoras em Osasco (SP) e, ao longo da campanha, destacou propostas voltadas ao eleitorado feminino, como a criação das Casas da Mãe Atípica e um pacote de medidas para mães que desejam empreender. Ele também propôs a criação de um cadastro público com condenados por violência contra a mulher.
Na segurança pública, o governador prometeu ampliar o programa Muralha Paulista para todos os 645 municípios paulistas, utilizando câmeras de vigilância e inteligência artificial para combater a criminalidade. As imagens serão concentradas e analisadas no Centro de Inteligência e Inovação, que integrará as polícias Militar, Civil, Penal, além da Guarda Civil Metropolitana.
'FREIOS E CONTRAPESOS'
Em seu primeiro discurso após a reeleição, Tarcísio agradeceu a Jair Bolsonaro, fez uma videochamada com Flávio Bolsonaro e afirmou que a eleição de uma maioria de direita no Senado permitirá que a Casa "restabeleça o sistema de freios e contrapesos".
"A partir do momento em que você tem uma maioria no Senado, é possível eleger o presidente do Senado e garantir que ele exerça seu papel de fiscalização. O Senado também deve apurar casos de crime de responsabilidade. Assim, o Senado restabelecerá o sistema de freios e contrapesos", afirmou Tarcísio.
O governador afirmou que, após sua reeleição, direcionará sua atuação para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que disputará o segundo turno contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
"A gente não faz nada sozinho. Quero agradecer a Jair Bolsonaro, que me abriu as portas tempos atrás. O tempo da virada está chegando. Agora, São Paulo será decisivo para eleger Flávio Bolsonaro no segundo turno. Nós não vamos abaixar nossos acampamentos, nem nossas bandeiras. Nós vamos derrotar o PT", defendeu Tarcísio.
Ele anunciou que colocou sua estrutura política à disposição do aliado e que pretende articular o apoio do Republicanos, do MDB e de outras legendas.
"Devemos nos encontrar em breve, provavelmente amanhã, para já traçar a estratégia. E onde for necessário o nosso apoio, o nosso suporte, eu estarei presente", afirmou em entrevista coletiva após a vitória.
Tarcísio disse que já começou conversas para que o Republicanos apoie Flávio na próxima fase da disputa, mencionando que pretende intensificar a articulação. Também afirmou que buscará a adesão do MDB, partido do vice-governador Felício Ramuth e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.
(Colaboraram Malu Mões e Geovani Bucci)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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