Política

PF avança na terceira fase da Coffee Break e investiga ex-nora de Lula por fraude em licitações

Operação mira suposto esquema de corrupção e desvio de recursos públicos da Educação em prefeituras paulistas; ex-nora de Lula nega envolvimento.

15/01/2026
PF avança na terceira fase da Coffee Break e investiga ex-nora de Lula por fraude em licitações
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a terceira fase da Operação Coffee Break, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre supostas fraudes em processos de licitação pública para aquisição de materiais didáticos em prefeituras do interior de São Paulo. Em novembro, Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, enteado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi alvo da PF por suspeita de receber propinas do empresário André Gonçalves Mariano, apontado como principal articulador do esquema.

Carla Ariane Trindade nega todas as acusações. Sua defesa, em novembro, informou que havia solicitado acesso aos autos e que só se manifestaria após conhecer integralmente o conteúdo da investigação.

Nesta etapa, a PF cumpriu três mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo, além de executar medidas de constrição patrimonial.

De acordo com a Polícia Federal, o esquema de corrupção e desvio de recursos públicos investigado na Coffee Break estaria em funcionamento desde pelo menos 2021, com ramificações em diversas prefeituras paulistas. O relatório parcial do inquérito aponta que agentes públicos, lobistas, doleiros e um empresário formaram uma "organização criminosa estruturada".

Na fase anterior da operação, deflagrada em 13 de novembro, seis pessoas foram presas sob suspeita de fraudes em licitações nos municípios de Sumaré e Hortolândia. Entre os detidos estava o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB).

As investigações se concentram na empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu cerca de R$ 70 milhões em contratos para fornecimento de kits e livros escolares a três prefeituras. Segundo a PF, os contratos teriam sido direcionados e superfaturados, com parte dos valores desviada para empresas de fachada.

Os investigadores afirmam que André Mariano, dono da Life, contratou Carla Ariane Trindade para obter vantagens junto ao governo federal. Em uma agenda apreendida pela PF, o nome de Carla aparece acompanhado do apelido "Nora", em referência ao seu antigo vínculo familiar com o presidente Lula.

A PF sustenta que recursos do Ministério da Educação, destinados à compra de materiais didáticos, foram desviados por meio de contratos direcionados e superfaturados. Os crimes apurados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.

Segundo os investigadores, há indícios de que a ex-nora do presidente Lula atuou em Brasília para viabilizar a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em favor da empresa investigada. A PF também aponta que Kalil Bittar, ex-sócio de um dos filhos de Lula, teria desempenhado papel semelhante.

Carla Ariane foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Kalil é irmão de Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio de Atibaia investigado na Lava Jato, e foi sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na empresa Gamecorp.

A investigação identificou que Carla viajou a Brasília acompanhada de André Mariano. Em uma dessas datas, Mariano tinha reunião agendada no FNDE, órgão responsável pela liberação dos recursos destinados aos contratos da Life.