Poder e Governo

Flávio é aconselhado a evitar debates com Lula no segundo turno

Senador e Lula não se enfrentaram no primeiro turno; integrantes da campanha defendem que candidato do PL não participe de nenhum encontro ou restrinja agenda ao último confronto

Agência O Globo - 05/10/2026
Flávio é aconselhado a evitar debates com Lula no segundo turno
Flávio Bolsonaro e Lula

Após avançar para o segundo turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) tem recebido conselhos de seus aliados para evitar debates nesta nova fase da disputa. Integrantes de sua equipe sugerem que o senador não compareça a todos os encontros programados nas próximas três semanas, realizando uma seleção dos mais relevantes.

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A expectativa atual é que o debate promovido pela TV Globo seja o único do qual Flávio participe, embora haja quem defenda que ele não compareça a nenhum.

Essa discussão surge após uma campanha em que Flávio e Lula não enfrentaram um ao outro nos debates. Ambos evitaram os encontros no primeiro turno, mas Flávio condicionou suas ausências à decisão do petista de não participar, passando a cobrar publicamente que o presidente aceitasse o confronto.

No primeiro debate da eleição, promovido pela Band em agosto, nenhum dos dois compareceu. Flávio justificou sua ausência afirmando que quería debater com Lula, e não com os demais candidatos presentes no palco.

– Quem está lá não é meu adversário – disse na ocasião.

O encontro acabou reunindo Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

A estratégia de vincular sua presença à de Lula começou a mudar apenas na reta final. Na última semana antes da votação, Flávio decidiu inicialmente comparecer ao debate da TV Globo, mesmo após o presidente informar que não iria. Essa decisão gerou divisões internas, já que parte dos aliados acreditava que o senador deveria manter a lógica anterior e também se ausentar.

A campanha começou a preparar Flávio para utilizar a ausência do petista como uma arma. O plano era fazer perguntas direcionadas ao púlpito vazio de Lula e transformar esses momentos em vídeos para as redes sociais, mantendo o presidente como seu principal adversário, mesmo sem sua presença no estúdio.

Na tarde do debate, no entanto, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu que a Globo não exibisse o púlpito vazio de Lula e proibiu perguntas dirigidas ao candidato ausente. Flávio então anunciou que não participaria mais do encontro, atribuindo sua decisão ao que considerou como “censura” da Justiça Eleitoral. Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos, do Missão, na lista de participantes. Diante das decisões judiciais e das ausências de Lula e Flávio, a Globo cancelou o debate.

A campanha transformou o episódio em um dos principais discursos das últimas horas do primeiro turno. Flávio realizou uma live no horário em que ocorreria o encontro, pedindo um “voto de revolta” e criticando a interferência do Judiciário.

No segundo turno, a presença de apenas dois candidatos elimina o argumento que Flávio usou para não comparecer ao primeiro debate — o de que não faria sentido comparecer sem Lula —, mas não encerra a resistência interna à ideia de debates. Parte dos aliados acredita que o desempenho obtido neste domingo permite ao senador ser seletivo e evitar uma série de embates ao vivo durante as três semanas restantes de campanha.

A posição de Lula também entra em consideração. O presidente não participou dos debates do primeiro turno e sua disposição para aceitar uma quantidade de confrontos agora será avaliada pela campanha adversária.

A Globo deve ser a exceção. A avaliação predominante na campanha é que, se ocorrer um debate da emissora no segundo turno, Flávio deverá comparecer.

A definição sobre a participação também impactará a agenda das próximas três semanas. A campanha pretende aumentar a presença de Flávio no Nordeste, incorporar aliados que encerraram suas próprias disputas neste domingo e buscar o apoio dos candidatos derrotados no primeiro turno, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo, e Sérgio Moro (PL), eleito no Paraná.

Flavinho light na TV

A campanha planeja reforçar no horário eleitoral do segundo turno a estratégia internamente chamada de “Flavinho light”. Esse termo é utilizado por integrantes da equipe para descrever a tentativa de apresentar Flávio com uma imagem mais moderada, reduzindo os confrontos diretos e priorizando propostas e temas do cotidiano, como custo de vida e segurança pública.

A avaliação entre os aliados é de que essa postura ajudou o candidato a ampliar sua votação para além do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo no primeiro turno. Na reta final, interlocutores acreditam que o movimento foi combinado com a reação às decisões do Judiciário, sendo explorado pela campanha como combustível para o chamado “voto de revolta”.

Para a propaganda de rádio e televisão, a orientação inicial é aprofundar o lado “light”. A campanha planeja dar mais espaço a propostas referentes a segurança e economia, e reduzir os ataques diretos a Lula. Críticas ao petista devem surgir principalmente associadas a temas do governo, enquanto confrontos mais incisivos poderão ser abordados em outros espaços da campanha.

Entre os assuntos que devem ganhar destaque estão economia, custo de vida e segurança pública, que já haviam sido priorizados por Flávio na reta final do primeiro turno. A intenção é utilizar o horário eleitoral para apresentar medidas de um eventual governo e conquistar eleitores que optaram por outros candidatos na primeira fase da disputa.