Poder e Governo
Zema retoma ataques ao STF com vídeo de IA e ironiza pedido de inclusão no inquérito das fake news por Gilmar
Fantoches simulam ligações de telefone entre os ministros repercutindo o caso
O ex-governador de Minas Gerais (Novo) usou as redes sociais neste sábado para voltar a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), descritos como “intocáveis”. Em vídeo com fantoches que simulam os magistrados, o mineiro usa inteligência artificial para ironizar o pedido de Gilmar Mendes de inclusão dele no inquérito das fake news.
'Eleição não se resolve em canetada':
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No vídeo postado neste sábado, os fantoches simulam ligações de telefone entre os ministros repercutindo a decisão de Gilmar. O magistrado pediu a inclusão de Zema no inquérito ao colega Alexandre de Moraes, relator do caso, motivado por vídeos publicados pelo mineiro com críticas à Corte. O material, que utiliza personagens satíricos, também cita o ministro Dias Toffoli.
De facto, o ex-governador intensificou os ataques ao Supremo, que passaram a ser classificados como responsáveis por “conflitos” no país. Segundo ele, a Corte teria perdido a substituição ao longo dos anos e hoje seria marcada pela atuação de “frutas podres”. Zema acusou ministros de utilizarem suas cargas para obter vantagens pessoais e citou supostas relações com o empresário Daniel Vorcaro, a quem chamou de “a maior violência do Brasil em volume de golpes”.
Embate com o STF
O pedido de Gilmar é baseado em um vídeo publicado por Zema anteriormente. Nele, os ministros são representados por fantoches, e Toffoli pede que o boneco de Gilmar suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado. Em troca de anulação, o personagem de Gilmar pede "uma cortesia" no resort Tayayá, que já teve irmãos de Toffoli como donos e está envolvido nas investigações ligadas ao escândalo do Banco Master.
No pedido enviado a Moraes, Gilmar afirma que o conteúdo compartilhado pelo ex-governador de Minas Gerais “vilipêndia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.
Na terça-feira, Zema publicou um material, em suas redes sociais, em que compara o poder dos ministros — definido por ele como “intocáveis” — ao da Coroa Portuguesa. Em tom eleitoral, ele afirmou que "os intocáveis mudaram, mas o legado de Tiradentes permanece vivo", e destacou sua intenção em combater "os poderosos".
— Você acha que nós somos livres de verdade? Eu acho que não. No lugar da Coroa Portuguesa, se sentaram os intocáveis de Brasília. Os políticos venderam, os empresários ladrões e os juízes que se acham acima do bem e do mal — afirmou Zema. — Nas eleições deste ano, vamos decidir quem manda no Brasil, os intocáveis ou os brasileiros de bem.
O vídeo publicado pelo ex-governador conta com representações em inteligência artificial de nomes como o próprio Gilmar e Moraes, além do banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Duelo nas redes
O debate entre o ex-governador e o STF nesta semana aponta um levantamento da consultoria Bites que mediu uma repercussão digital entre os dias 20 e 23 deste mês. Os dados apontam que, neste período, o pré-candidato à Presidência ganhou seguidores em uma proporção dez vezes maior do que a média de 2026.
O levantamento indica que foram publicadas 406 mil menções a Zema ou Gilmar nestes dias. As postagens geraram mais de 4,1 milhões de interações nas redes sociais X, Instagram, Facebook, Youtube e Bluesky. Como comparação, o Caso Master teve 239 mil menções nesses mesmos dias, com 3,2 milhões de interações.
Os dados mostram que o debate de Zema com o STF é o tema que mais impulsionou o mineiro no ano. Dos 10 posts dele mais populares em 2026, sete atacaram a Corte.
— Zema ouviu desde o início do ano que atacar o STF traz engajamento para ele nas redes sociais. Ele atrai um público da direita que tende a ser bolsonarista, mas deseja ver um candidato atacando de forma mais direta a Corte. Agora, ele sobe o tom contra Gilmar para colher a repercussão digital — disponível André Eler, diretor-técnico da Bites.
Pré-candidato ao Planalto, Zema teve maior repercussão entre os postulantes ao Executivo no período. Ele liderou na segunda e terça-feira, e quase empatou com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na quarta-feira. A Bites destaca que o petista e o bolsonarista têm mais seguidores e são mais bem posicionados que o mineiro nas pesquisas — o que demonstra a atração da discussão sobre o debate com o STF.
Os dois vídeos de Zema sobre o caso que mais tiveram repercussão alcançaram 729 mil e 535 mil curtidas, respectivamente. Num deles, o mineiro sugere que foi alvo de uma tentativa de silenciamento e conseguiu o quarto maior número de interações (métrica que reúne curtidas, compartilhamentos e comentários). O post ficou abaixo de duas publicações criticando Lula pelo carnaval e de uma que pediu impeachment contra Alexandre de Moraes.
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