Poder e Governo

Morre, aos 102 anos, José Frejat, ex-deputado federal pelo Rio e pai do cantor Frejat

Ex-presidente da UNE e opositor da ditadura, advogado participou da redemocratização

Agência O Globo - 25/04/2026
Morre, aos 102 anos, José Frejat, ex-deputado federal pelo Rio e pai do cantor Frejat
Morre, aos 102 anos, José Frejat, ex-deputado federal pelo Rio e pai do cantor Frejat - Foto: Reprodução / Agência Brasil

José Frejat , advogado e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, faleceu neste sábado (25), aos 102 anos. A informação foi confirmada pela família. Ele era pai do cantor e compositor Frejat e de Mauro Frejat, além do irmão do médico e ex-deputado Jofran Frejat, falecido em 2020. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em março de 1924, em Curupuru, no Maranhão, mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde estudou no tradicional Colégio Pedro II. Em 1947, ingressou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a graduação, teve atuação destacada no movimento estudantil, sendo representante de turma, segundo secretário e, em 1949, presidente do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira.

No ano seguinte, assumiu a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE), em caráter extraordinário, após a renúncia de Rogê Ferreira. Simultaneamente, liderou o Diretório Central dos Estudantes da UFRJ.

Após se formar no início da década de 1950, foi um dos fundadores e secretário-geral do Movimento Nacionalista Brasileiro. Em 1958, atuou como redator-chefe do jornal O Semanário, que foi extinto após o golpe militar de 1964.

Frejat iniciou sua trajetória política no campo democrático. Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), fez oposição ao regime militar e exerceu cargos como procurador da Fazenda Nacional, vereador do Rio de Janeiro e deputado federal. Foi eleito para a Câmara em 1978 e reeleito em 1982, já no contexto do fim do bipartidarismo.

Durante o processo de redemocratização, votou a favor de Emenda Dante de Oliveira, que propôs eleições diretas para a Presidência, e apoiou a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 1985. Ao longo da vida política, também integrou partidos como PSB, PDT e PSDB.

Em 1986, candidatou-se ao Senado na chapa de Marcelo Alencar, mas não foi eleito. Décadas depois, em 2018, tentou retornar à vida pública como candidato a deputado estadual pelo Rio de Janeiro pela Rede Sustentabilidade, mas teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral.