Poder e Governo
Zema nega uso do Estado para benefício próprio, se diferencia de Flávio Bolsonaro e amplia críticas ao STF
Pré-candidato afirma que políticos usam máquina pública para enriquecimento e intensifica críticas a ministros da Corte, defendendo impeachment e investigação de integrantes
O pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, elevou o tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao mesmo tempo em que buscou se diferenciar do senador Flávio Bolsonaro, com quem tem se aproximado politicamente. Em entrevista exibida na noite de quinta-feira, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que, ao contrário de parte da classe política, não utiliza o Estado para benefício próprio ou de aliados.
Empresário de origem, Zema defende, em programa da RedeTV, uma máquina pública “mais enxuta” e práticas críticas que, segundo ele, são comuns entre políticos.
— Quem está no setor público muitas vezes quer usar a estrutura em benefício próprio, de familiares ou partidários — afirmou, ao ser questionado sobre diferenças em relação a Flávio Bolsonaro.
Apesar da comparação, Zema evitou acusações diretas ao senador, mas declarou:
— Temos muitos (políticos), acho que uma boa parte, que têm essa visão de que estar no Estado é para enriquecimento, para resolver a sua vida pessoal e não para prestar serviço ao pagador de impostos. Eu acho que varia, é necessário ponderar tudo isso.
Cotado como possível vice em uma chapa com o parlamentar do PL, Zema reafirmou sua pré-candidatura ao Planalto e defendeu que a direita apresentasse múltiplos nomes na disputa. A aproximação entre os dois ficou evidente nos últimos dias, especialmente após Flávio prestar solidariedade ao mineiro após sua inclusão no inquérito das fake news.
A investigação foi aberta a partir de pedido do ministro Gilmar Mendes e do colega Alexandre de Moraes, relator do caso, motivada por vídeos publicados por Zema com críticas à Corte. O material, que utiliza personagens satíricos, também menciona o ministro Dias Toffoli.
De facto, o ex-governador intensificou os ataques ao Supremo, que passaram a ser classificados como responsáveis por “conflitos” no país. Segundo ele, a Corte teria perdido a substituição ao longo dos anos e hoje seria marcada pela atuação de “frutas podres” . Zema acusou ministros de utilizarem suas cargas para obter vantagens pessoais e citou supostas relações com o empresário Daniel Vorcaro, a quem chamou de “a maior violência do Brasil em volume de golpes”.
As declarações integram uma ofensiva mais ampla do pré-candidato contra o Judiciário. Zema afirmou esperar que o Senado avance com pedidos de impeachment contra ministros do STF, especialmente Gilmar Mendes, e criticou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, por não pautar as obrigações.
“Quando tivermos um presidente do Senado corajoso, essa situação vai se concordar”, afirmou.
Zema também respondeu às críticas de Gilmar Mendes, que questionou o teor das sátiras publicadas pelo político. O mineiro reagiu nas redes sociais, ironizando as declarações e mantendo o tom de enfrentamento.
No campo econômico e social, o pré-candidato defendeu maior transparência nas contas públicas, o fim de sigilos prolongados e mudanças em programas sociais, como o Bolsa Família, retribuindo contrapartidas de trabalho comunitário. Ele também criticou a política externa do governo federal e associou medidas comerciais dos Estados Unidos às decisões diplomáticas do Brasil.
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