Poder e Governo
PDT quer filiar Marina Silva: presidente do partido diz que ela seria "muito bem-vinda"
Ambientalista avalia apenas possibilidade de disputar vaga ao Senado por São Paulo nas eleições deste ano
O Partido Democrático Trabalhista (PDT) deseja filiar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que deve deixar a Rede Sustentabilidade após mudanças estruturais na sigla tornarem, na avaliação de aliados, sua saída "inevitável". O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou nos bastidores que a ambientalista "seria muito bem-vinda", embora não haja negociações em curso sobre a possível transferência. Com o futuro político indefinido, Marina tem sido sondada por PT, PSB, PV e PSOL.
Movimentações partidárias
“Um quadro como Marina Silva agregaria muito ao partido. Há uma vontade de filiá-la, seria um nome de peso”, declarou um dirigente nacional do PDT ouvido pela reportagem.
Carlos Lupi integrou a Esplanada dos Ministérios ao lado de Marina até maio do ano passado. O ex-ministro da Previdência pediu demissão nove dias após uma operação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelar um esquema bilionário de desvios em aposentadorias e pensões do INSS.
O líder do PDT na Câmara, Mário Heringer (MG), destacou que o interesse pela filiação de Marina se deve à sua trajetória na área ambiental:
— Temos conversado no partido. Estamos acompanhando essa dificuldade dela na Rede. Todos nós a receberíamos de portas abertas. Marina é uma referência na defesa do meio ambiente no Brasil e no mundo — afirmou o parlamentar.
Eleita deputada federal em 2022, Marina descarta disputar uma vaga na Câmara nas eleições deste ano. A ambientalista admite apenas a possibilidade de concorrer ao Senado por São Paulo, cenário que dependeria do rumo escolhido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo apuração da reportagem, é “pouco provável” que Marina entre na disputa caso Haddad seja candidato ao Legislativo.
O plano de Haddad é colaborar com a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o próprio presidente ainda não definiu a estratégia. O PT pressiona para que Haddad dispute o governo estadual ou uma vaga no Senado.
De acordo com interlocutores ouvidos pela reportagem, ainda não há definição sobre o destino político de Marina nas eleições. A ministra mantém relação próxima com Haddad no governo, especialmente na condução de projetos de transição ecológica liderados pela área econômica.
Caso decida ser candidata, Marina deverá deixar o Ministério do Meio Ambiente até abril. A tendência é que o secretário-executivo, João Paulo Capobianco, assuma interinamente, mas a decisão ainda não foi discutida com o presidente Lula.
Segundo aliados, uma eventual candidatura de Marina só será cogitada se atender a três requisitos: apoio à reeleição de Lula, construção coletiva e fortalecimento de uma frente ampla, especialmente em São Paulo, e a promoção da agenda ambiental. Interlocutores destacam que a definição sobre uma candidatura ao Senado também depende de uma redefinição partidária.
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