Poder e Governo
Voo nacional de Ratinho Jr. no PSD esbarra em alianças locais de seis estados
Partido de Kassab deve estar no palanque de Lula ou de outro candidato ao Planalto
Empenhado em viabilizar seu nome para disputar o Palácio do Planalto este ano, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), enfrenta obstáculos para conquistar o apoio de lideranças do próprio partido em pelo menos seis estados. Nessas regiões, os diretórios já estão comprometidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, ou com outros candidatos. A pretensão de Ratinho Jr. esbarra especialmente em alianças locais consideradas estratégicas para o PSD no Sudeste, Nordeste e Norte do país.
Desafios em estados-chave
Em Minas Gerais, o PSD terá como candidato ao Palácio Tiradentes o vice-governador Matheus Simões, que deixou o Partido Novo no ano passado, mas manteve o apoio ao governador Romeu Zema (Novo), nome cotado para a disputa presidencial. Zema, inclusive, tem sido cogitado para compor uma chapa da direita como vice, mas já descartou publicamente essa possibilidade.
No Rio de Janeiro, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), deverá estar no mesmo palanque que Lula, mesmo após dúvidas causadas por acenos ao bolsonarismo nos últimos meses. A aproximação com o governador Cláudio Castro (PL) e críticas do vice-prefeito Eduardo Cavaliere à atuação do PT na segurança pública geraram desconforto entre petistas. Nesta semana, porém, Paes foi a Brasília e reiterou sua lealdade a Lula, como destacou a newsletter “Jogo Político”, do GLOBO.
Alianças consolidadas no Nordeste
Na Bahia, o PSD permanecerá na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), após ser liberado por Gilberto Kassab, presidente nacional do partido, para manter o arranjo estadual. A aliança será mantida mesmo diante das articulações para uma chapa puro-sangue ao Senado, formada pelo senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. O senador Ângelo Coronel (PSD), que busca a reeleição, deve ficar de fora, mas isso não deve alterar a parceria entre PSD e PT.
O presidente estadual do PSD, senador Otto Alencar, afirmou por meio de sua assessoria que "sempre apoiou Lula na Bahia e que não teria por que desfazer essa aliança para apoiar outro candidato, mesmo sendo um nome do próprio partido".
No Piauí, outro estado governado pelo PT há mais de uma década, o palanque para Lula deve incluir espaço para a reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) e para a candidatura ao Senado do deputado federal Júlio César (PSD), aliado do ministro Wellington Dias (PT). Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra, que busca a reeleição pelo PSD, disputa o apoio do PT com o prefeito de Recife, João Campos (PSB).
Incerteza no Ceará
No Ceará, a situação é diferente. O PSD integra a base do governador Elmano de Freitas (PT) e tem o ex-deputado estadual Domingos Filho, presidente do diretório local, como secretário do Desenvolvimento Econômico. Em nota, a direção estadual afirmou que "deverá se manter junto a Elmano, mas, no plano nacional, acompanhará a orientação do presidente Gilberto Kassab, o que significa apoiar a candidatura de Ratinho Jr."
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