Poder e Governo
PP tenta atrair aliado de Flávio Bolsonaro e volta a pressionar Tarcísio
Insatisfeita com governador, parte da sigla cogita lançar candidatura de Sabará
Movimentação política: Após cogitar candidatura própria ao governo de São Paulo, o PP busca filiar o empresário Filipe Sabará, ex-secretário do governo João Doria e articulador dos recentes encontros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com representantes da Faria Lima, em São Paulo. O objetivo é lançar Sabará como candidato a deputado federal ou até mesmo ao governo estadual nas próximas eleições.
Insatisfação com Tarcísio: No final de 2025, o diretório estadual do PP divulgou nota criticando a dificuldade de comunicação e a falta de atenção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a parlamentares e prefeitos do interior. O texto também mencionava a possibilidade de lançar um nome próprio ao governo. Além de Sabará, que coordenou a campanha de Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo em 2023, o ex-governador Rodrigo Garcia é outro nome cogitado pelo partido. Ambos estão atualmente sem filiação partidária.
Divisão interna: O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), reconhece a insatisfação com Tarcísio, mas reafirma o apoio ao governador em uma eventual tentativa de reeleição, tendo em vista a candidatura do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) ao Senado. “Os prefeitos reclamam de falta de atenção, de diálogo. Mas não é uma coisa só do Progressistas. Conversei com presidentes de outros partidos e todos reclamam disso. Mas nada que inviabilize o apoio ao Tarcísio; a prioridade do partido é o Derrite. E o melhor caminho para a eleição dele é a aliança com o Tarcísio”, afirmou Nogueira.
Apesar disso, Nogueira diz ver com bons olhos a possível filiação de Sabará ao PP, mas prefere que ele dispute outro cargo.
Apoios em risco: A posição do presidente do PP, porém, não é unânime. Um deputado da legenda em São Paulo, ouvido reservadamente, afirma que as queixas podem inviabilizar apoios importantes no interior. Segundo ele, como Tarcísio venceu em 2022 praticamente sem alianças municipais — o PSDB tinha mais de 230 prefeitos dos 645 municípios —, o governador tem minimizado a importância dos prefeitos, amparado por sua alta popularidade no estado.
Aliados de Tarcísio avaliam que a insatisfação do PP decorre da perda de espaço no governo após a saída de Derrite, substituído pelo delegado Nico, que não possui filiação partidária. Para um prefeito de uma grande cidade aliado ao governador, a ala paulista do PP busca apenas recuperar influência, algo que a direção nacional do partido nega.
Procurados, Tarcísio e o secretário-chefe da Casa Civil, Arthur Lima, afirmaram em nota que o governo “mantém diálogo constante com lideranças políticas e gestores municipais, bem como agenda contínua de reuniões com prefeitos e vice-prefeitos de todas as regiões do estado”.
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