Poder e Governo
Moraes determina investigação sobre possível vazamento de dados de ministros do STF
Inquérito sigiloso foi instaurado por decisão do ministro do Supremo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para apurar um possível vazamento de dados sigilosos de ministros da Corte e de seus familiares, supostamente por servidores da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A existência da investigação foi revelada pelo portal Poder 360 e confirmada pelo jornal O Globo. O procedimento já tramita no STF e a Receita Federal já teria sido notificada oficialmente sobre a medida.
O objetivo do inquérito é esclarecer se houve acesso irregular a informações fiscais e bancárias dos magistrados, identificar quem realizou as consultas, em que datas e com quais justificativas.
A abertura da investigação ocorre em meio à repercussão de reportagens que citam um contrato do Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes.
Em dezembro, a colunista Malu Gaspar revelou que, ao longo de três anos, o contrato alcançaria o valor total de R$ 131,3 milhões.
Anteriormente, o colunista Lauro Jardim informou que o contrato de prestação de serviço foi apreendido durante uma operação da Polícia Federal (PF).
No mesmo mês, Malu Gaspar também noticiou que Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para interceder em favor do Banco Master.
Segundo a reportagem, ao menos três contatos foram realizados por telefone, mas houve pelo menos um encontro presencial entre Moraes e Galípolo para tratar dos problemas do banco de Daniel Vorcaro.
Este não é o primeiro episódio recente de divergência entre o STF e a Receita Federal sobre o uso de dados fiscais envolvendo autoridades.
Em 2019, o próprio Moraes determinou a suspensão de uma série de investigações fiscais da Receita que envolviam ministros do Supremo e outras autoridades, citando "indícios de desvio de finalidade" nas apurações, e afastou temporariamente dois servidores por suspeita de quebra indevida de sigilo.
Na ocasião, o STF entendeu que não havia indícios suficientes de irregularidade dos contribuintes para justificar a devassa fiscal promovida pelo órgão.
A decisão de 2019 foi proferida no contexto de um inquérito mais amplo, aberto pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, para apurar fake news e ameaças contra a Corte, incluindo a determinação de paralisação das investigações que supostamente acessaram dados sem indícios concretos de irregularidade.
Mais lidas
-
1ALERTA NA ORLA | MACEIÓ
Alerta vermelho em Maceió: engenheiro diz que Ponta Verde pode estar afundando; vídeo
-
2ENERGIA NUCLEAR
Financiamento nuclear do BRICS liderado pelo Brasil pode reequilibrar acesso a tecnologias
-
3INTERNACIONAL
Crescimento econômico da China deve dobrar o dos EUA em 2026, aponta Academia Russa de Ciências
-
4MUDANÇA TRIBUTÁRIA
Emissão de NFS-e e ISSQN será feita exclusivamente pelo site do Governo Federal a partir de 2026
-
5JUSTIÇA
Polícia do Paraguai entrega Silvinei Vasques à Polícia Federal