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Brasil lança programa para reduzir filas do SUS com adesão de hospitais privados endividados

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta sexta-feira (29) em São Paulo (SP) detalhes do programa "Agora é que Tem Especialistas", iniciativa do governo federal para reduzir filas do Sistema Único de Saúde (SUS) em consultas, exames e cirurgias especializadas.
Segundo Padilha, a estratégia se dá com investimento público direto em regiões carentes e a adesão de hospitais privados e planos de saúde que trocam dívidas por atendimento à população.
"Primeiro com foco no Norte do país. A gente sabe que por lá a situação é mais complicada no Nordeste também, principalmente", disse Padilha. Ele lembrou que, em estados como Amazonas e Pará, pacientes chegam a viajar de barco até as capitais para realizar exames de alta complexidade.
O ministro destacou que cada região terá soluções diferentes. "Lá na área do Marajó não tem hospital privado, então ali você pega o investimento público direto, do Ministério da Saúde em parceria com os municípios."
Padilha ressaltou que hospitais privados também terão papel importante, especialmente aqueles com dívidas tributárias. "130 hospitais já pediram adesão ao programa. São hospitais privados que têm dívidas com a União. Nesse momento está em análise pelo Ministério da Saúde, o Ministério repassa isso para os gestores municipais e estaduais".
O ministro explicou que só serão aceitos serviços considerados prioritários para cada região.
Outra frente do programa envolve operadoras de planos de saúde, algumas com grandes dívidas junto à Agência Nacional de Saúde (ANS). "A nossa meta de adesão é de 750 milhões de trocas de cirurgias por exames ao longo do ano", disse Padilha.
Ele citou a Hapvida como a primeira a aderir, iniciando atendimentos em Recife. Outras operadoras e unidades da rede Unimed também avaliam participação.
O acesso para os pacientes continuará sendo regulado pelas secretarias municipais e estaduais, sem alteração no processo atual, completou. "O paciente vai continuar funcionando como é hoje, ou seja, ele tá esperando lá na fila do SUS. […] Ele vai ser chamado pelo estado e município e pode estar sendo atendido ou no hospital que já presta serviço para o SUS ou no hospital que não prestava serviço."
A partir de setembro, o ministério também enviará carretas especializadas a localidades sem hospitais. "Vai ficar uma carreta especial só de saúde da mulher, para fazer ultrassom, mamografia, biópsia, exame para definir câncer de colo de útero. Vai ter uma carreta só de tomografia."
Quem é o ministro Padilha no governo Lula?
Antes de retornar ao cargo neste ano, Padilha foi titular da Saúde entre 2011 e 2015, quando criou o programa brasileiro Mais Médicos — criticado recentemente pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que anunciou a revogação de vistos de autoridades brasileiras e ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) envolvidos no programa, incluindo o próprio ministro.
O ministro, inclusive, teve a esposa e a filha de 10 anos impedidas de entrarem em território norte-americano depois que seus vistos foram revogados — ele próprio não foi afetado, pois seu visto já estava vencido desde 2024.
A decisão, conforme dito por ele anteriormente, não o "intimidará", e foi classificada como um "ato covarde que atinge uma criança e minha esposa".
Padilha afirmou que sua filha sequer havia nascido quando criou o programa, em 2013, e questionou com indignação: "qual o risco de uma criança de dez anos de idade pode ter para o governo americano?".
Ele também esclareceu que a medida "não tem nada a ver com o Mais Médicos", ressaltando que 95% dos médicos atualmente no programa são brasileiros, e lamentou que os EUA não sancionaram outros países com acordos similares com Cuba.
Por Sputinik Brasil
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