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Festival de Veneza é marcado por 'alienígenas' e astro em crise

Megaevento chegou ao segundo dia nesta quinta-feira (28)

Redação ANSA 28/08/2025
Festival de Veneza é marcado por 'alienígenas' e astro em crise
George Clooney perdeu os compromissos do evento em razão de "uma grave sinusite" - Foto: ANSA

A vida, de fato, às vezes imita a arte e alguns inusitados acontecimentos dominaram o segundo dia do Festival de Cinema de Veneza, na Itália.

Um deles envolveu o ator americano George Clooney, novamente competindo no evento com "Jay Kelly", de Noah Baumbach.

O filme, estrelado por um superelenco que inclui Adam Sandler, Laura Dern, Billy Crudup e Greta Gerwig, é uma jornada cinematográfica física e interna do astro Jay Kelly, interpretado por Clooney. Uma história de fama e vulnerabilidade como a que aconteceu com o protagonista do longa, que perdeu os compromissos do principal evento cinematográfico da Itália em razão de "uma grave sinusite".

"Até as estrelas ficam doentes. Eu queria trabalhar com George e elevar o nível. Foi um desafio enorme, mas sempre pensei: este papel é para Clooney", declarou Baumbech.

A vulnerabilidade humana também está no centro da nova parceria entre o diretor grego Yorgos Lanthimos e a atriz Emma Stone. Eles voltaram para Veneza com "Bugonia", longa em que a artista vencedora do Oscar interpreta Michelle Fuller, a implacável CEO de uma grande empresa que, por trás de sua aparência, tem poucos escrúpulos éticos.

No filme, a gestora é sequestrada por dois jovens primos: Teddy e Donny, que vivem isolados e são teóricos da conspiração. Um deles acredita que a parente é uma alienígena de Andrômeda e foi justamente esse elemento extraterrestre que fascinou Stone.

"Pensar que você está sozinho no universo é narcisista, então, se você quer saber, eu te digo: eu acredito em alienígenas. Aliás, talvez eu mesmo seja uma alienígena", disse a estrela.

Lanthimos, por sua vez, enfatizou que a história não é distópica. "Na verdade, ela reflete o mundo real, o que está acontecendo agora, além de falar sobre muitas coisas que não vemos ou não queremos ver, como, por exemplo, as mudanças climáticas, que estão destruindo o mundo em que vivemos", analisou.

Outro vencedor do Oscar, o diretor húngaro Laszlo Nemes, entrou na corrida pelo Leão de Ouro com "Órfão", uma história inspirada no que realmente aconteceu com seu pai quando ele tinha 12 anos. O protagonista do filme é um garoto judeu em Budapeste, em 1957, que deve confrontar uma figura paterna real, até então apenas idealizada.

"Esta é uma história que abrange muito mais do que uma simples experiência individual. Vai além disso. É a história de um país, de um continente e dos traumas que continuamos carregando dentro de nós", disse o cineasta.

Duas fragilidades se encontram em Veneza: a de uma menina negligenciada pelo pai e a de uma jovem de 20 anos que não superou uma perda grave, em "O Sequestro de Arabella", de Carolina Cavalli, estrelado por Benedetta Porcaroli.

Um road movie que evoca a Califórnia nas estradas do Vêneto e da Emilia-Romagna, símbolo "de uma viagem no tempo, tanto para trás quanto para frente". A artista acrescentou que é uma jornada na qual a protagonista "aprende a se aceitar, a se libertar do peso do passado e também entende que até o luto e a dor têm um propósito".

Por fim, há um episódio trágico de atualidade policial, o assassinato de Gloria Rosboch, que é a base de "La Gioia", filme de Nicolangelo Gelormini, estrelado Valeria Golino e que está em competição no Giornate degli Autori.

A história da professora que foi morta em 2016 por um de seus ex-alunos, Gabriele Defilippi, ganhou vida através dos personagens Gioia e Alessio (Saul Nanni), um problemático estudante do ensino médio acostumado a usar seu corpo para seduzir e fazer dinheiro.

"Minha personagem, Gioia, poderíamos chamá-la de vítima, mas ela não é só isso. Ela também é uma mulher com um quê de 'garota interrompida'", afirmou Golino em entrevista à ANSA.