Variedades
‘Lobo’, fábula de terror, paixão e morte

Em Lobo, a atriz, performer, diretora e dramaturga Carolina Bianchi propõe um embate entre o instinto e a civilização por meio de coreografias e práticas performáticas em uma fábula de terror episódica que mescla paixão, morte e erotismo. Carolina divide a cena com 15 artistas homens – atores, bailarinos e músicos -, selecionados em residência realizada pela autora no ano passado.
No espetáculo, que estreia quinta, 24, no Teatro de Contêiner (Rua dos Gusmões 43, tel. 97632-7852), a figura do lobo representa uma reflexão sobre a própria criação, nos mais diversos níveis. “O lobo é o outro, é aquilo que não é o homem, é o fracasso da civilização. O lobo é o pré-racional, aquilo que estava antes de a gente começar a formular uma frase e a dizer coisas dessa forma de dar limites a elas, o que é e o que não é”, define a diretora.
A primeira versão de Lobo foi gestada durante a participação de Carolina, que já integrou a Cia. dos Outros, em uma residência de dramaturgia em Buenos Aires, a Panorama Sur. O projeto encerra uma trilogia desenvolvida pela performer, interessada em estudar a questão da sexualidade e as potencialidades dos corpos. “Isso significava não tratar exatamente a representação do sexo na cena, mas de criar esses dispositivos para que eu pudesse construir atmosferas.”
Esse ciclo teve início em 2015, com Mata-me de Prazer, em parceria com o músico Lucas Vasconcellos, na qual Carolina interpretava uma palestrante que narrava a história de um país fictício onde seus habitantes faziam sexo no horário de expediente do trabalho. Em seguida, em 2017, veio Quiero Hacer el Amor (Experiência Sexual #1), em que ela e outras dez mulheres interagiam com a arquitetura de edifícios da cidade.
Após a vivência portenha, Carolina realizou, no ano passado, uma residência na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Bom Retiro, com 30 participantes, para definir o elenco de Lobo. Os performers ficam sem roupa durante toda a apresentação. “A possibilidade de estar nu é se livrar um pouco da civilização”, observa a assistente de direção da montagem, Debora Rebecchi. A equipe técnica é majoritariamente feminina e compõe o coletivo Cara de Cavalo.
Evitando os moldes do teatro tradicional, para compor essa fábula de terror a autora buscou referências desde a arte barroca, passando por canções italianas, a filmes do gênero, como A Marca da Pantera (1982) e obras do provocador diretor polonês Andrzej Zulawski (Cosmos, O Diabo, Possessão). “Para mim, o terror tem algo de sexual. O que a gente desconhece e tem medo. O sexo também tem esse mistério. A libido também pode ser terrível, extremamente assustadora”, acrescenta Carolina.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Autor: Igor Giannasi
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