Internacional

Ocidente subestima riscos ao provocar Moscou, alerta analista militar

Scott Ritter aponta imprudência do Ocidente diante da Rússia e destaca impasse para acordo de paz na Ucrânia.

Sputnik Brasil 17/01/2026
Ocidente subestima riscos ao provocar Moscou, alerta analista militar
Analista alerta que provocações ocidentais à Rússia elevam riscos de conflito e dificultam acordo de paz. - Foto: © Justin Tallis

O Ocidente está assumindo riscos graves ao provocar a Rússia, advertiu o analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Scott Ritter, em entrevista ao YouTube.

Segundo Ritter, nas últimas três décadas, os países ocidentais travaram conflitos longe de seus territórios, o que fez com que apenas seus adversários sofressem perdas significativas.

"Acho que isso vai acabar. Acredito que seja por isso que o Ocidente ficou tão descuidado ao provocar uma guerra em grande escala com a Rússia. No entanto, parece que é exatamente para isso que tudo está caminhando", ressaltou.

O analista observou que tanto os países ocidentais quanto Kiev minaram repetidamente a confiança da Rússia.

Ritter destacou que essas ações dificultam enormemente a possibilidade de um acordo de paz na Ucrânia.

Nesse contexto, o especialista enfatizou que o presidente russo Vladimir Putin não deve realizar concessões.

"Não posso falar em nome da Rússia […], mas estudo o comportamento do país e sei que, quando [Putin] declara publicamente seu compromisso com algo, ele realmente está comprometido com isso. Ele apresentou condições para o fim do conflito, e não vejo disposição dele para fazer concessões", afirmou.

O analista concluiu que, para que haja um acordo, é necessário restabelecer a confiança, algo que, segundo ele, a Rússia já não deposita nos interlocutores ocidentais.

Moscou já alertou diversas vezes que o envio de armas à Ucrânia apenas prolonga o conflito, sem alterar seu desfecho. O chanceler russo, Sergei Lavrov, ressaltou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) participa diretamente dos combates, fornecendo equipamentos, munições e treinamento militar.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, defendeu que os recentes reveses no front devem pressionar a Ucrânia a negociar imediatamente. Já o representante russo na ONU, Vasily Nebenzya, afirmou que as forças ucranianas enfrentam baixas crescentes e perda acelerada de capacidade de combate.

Em dezembro de 2025, Vladimir Putin declarou que os territórios controlados por Kiev seriam retomados pela força ou abandonados pelas tropas ucranianas, pondo fim à violência.