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Acolhimento humanizado faz família de estudante com autismo trocar escola particular pela pública

Escola Municipal Audival Amélio da Silva é preferência dos pais pelo atendimento especializado

25/04/2026
Acolhimento humanizado faz família de estudante com autismo trocar escola particular pela pública
Escola Municipal Audival Amélio da Silva promove rotina humanizada e acolhedora. - Foto: Mariel Matias/ Ascom Semed

Aos 7 anos, Luan Gomes está descobrindo que a escola pode ser, finalmente, um lugar de pertencimento. Aluno do 2° ano da Escola Municipal Audival Amélio da Silva, no bairro São Jorge, ele é um dos 3.174 estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidos atualmente pela rede pública de ensino de Maceió.

A história do estudante, no entanto, carrega um marco recente: após o período da Educação Infantil no ensino particular, Luan faz parte do grupo, cada vez maior, de estudantes que migraram da rede privada para a pública em busca de estrutura mais inclusiva e apoio humanizado. Está em processo um levantamento elaborado pela Secretaria de Educação de Maceió (Semed) para identificar quantos alunos realizaram a migração.

Diagnosticado aos 18 meses com autismo, Luan, que também tem TDAH, enfrentou barreiras invisíveis na escola particular onde estudou desde o maternal. Segundo sua mãe, Luíza Gomes, a decisão de mudar não foi baseada em custos, mas em dignidade. "Não havia uma auxiliar de sala exclusiva; a profissional atendia a turma toda. Os livros eram caríssimos, mas ele não conseguia acompanhar. Sentíamos que eles estavam empurrando com a barriga", desabafa.

O que a família Gomes encontrou na Escola Audival Amélio, que hoje atende 405 alunos, sendo 40 deles atípicos, foi o que o pai de Luan, Natanael Costa, descreve como "outro mundo". "Estamos nos incluindo na escola. Antes, estávamos restritos de informações. Aqui, o acolhimento foi transformador", afirma.

Investimentos gerando frutos

A mudança de percepção da família de Luan não é obra do acaso. Os dados da Semed revelam um investimento significativo na Política de Educação Especial. De 2021 para 2026, o número de Profissionais de Apoio Escolar (PAE) saltou de 500 para 2.500, garantindo que crianças que necessitam de auxílio na alimentação, higienização, locomoção e interação social, como Luan, tenham suporte real em sala de aula.

Varlene Paula é a PAE que acompanha Luan diariamente. Ela destaca a importância do trabalho coletivo. "Luan participa de tudo: do recreio, da educação física. A professora da sala de aula adapta as atividades dele, e ele as realiza com tranquilidade. É preciso esse conjunto família-escola para o desenvolvimento acontecer", diz.

Coração da inclusão

Além do apoio durante as aulas, Luan frequenta duas vezes por semana a Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) para o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Atualmente, Maceió conta com 116 salas de recurso e 164 professores da educação especializada, que se dedicam ao desenvolvimento integral de cada estudante.

Kátia Cristina é uma das professoras da AEE da Escola Audival Amélio e acompanha Luan. Ela explica que o trabalho começa muito antes do aluno sentar à mesa. "O contato com a mãe foi fundamental. Nós mostramos a escola, a PAE dele, a professora e explicamos como funciona, pois querendo ou não era um novo ambiente. E aqui orientamos sobre tudo, desde a mediação pedagógica até a nutricional", conta.

A questão alimentar, inclusive, era um dos grandes receios de Luíza, devido à seletividade comum de crianças com TEA. "Conversamos com a nutricionista da rede e entramos em um acordo sobre a rotina dele. Hoje, graças a Deus, ele já está comendo coisas que antes não conseguia", celebra a mãe.

Para a diretora da escola, Roberta Viana, e a vice-diretora, Denise Barbosa, a unidade é o reflexo de uma gestão que preza pela união. "Somos uma escola que pensa no todo, com um ambiente preparado para o acolhimento", pontua Roberta.

"Ter esses momentos de escuta ativa e apoiar as potencialidades de cada criança, com salas de recursos bem equipadas, é o que faz uma escola de sucesso", completa Denise.

Um futuro de independência

A rede pública de ensino de Maceió possui quase cinco mil alunos na Educação Especial. Para Luíza, o alívio vai além do desenvolvimento escolar. "Agora, estou mais aliviada em imaginar um futuro em que ele possa ser independente. O diferencial é procurar saber e fazer, e desta vez estamos sentindo que a escola sabe o que está fazendo", conclui, com a certeza de que Luan, enfim, encontrou o seu lugar.