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Ronco e noites agitadas: o que o sono do seu filho diz sobre a saúde dele
Sintomas podem indicar apneia do sono, condição que afeta até 4% das crianças e impacta o bem-estar físico, emocional e cognitivo
São Paulo, março de 2026 - Ronco frequente, sono muito agitado ou cansaço durante o dia podem parecer apenas uma fase da infância. Mas, em alguns casos, esses sinais indicam que a criança não está descansando bem à noite.
Uma das possíveis causas é a apneia do sono infantil, distúrbio caracterizado por pausas na respiração durante o sono, geralmente provocadas por obstrução das vias aéreas superiores. Essas pausas podem ocorrer várias vezes e fragmentar o sono, fazendo com que a criança acorde cansada mesmo após horas de descanso.
A apneia do sono infantil afeta entre 2% e 4% das crianças brasileiras, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. A condição é mais frequente entre os 2 e os 8 anos.
“Muitos pais acreditam que o ronco é algo normal na infância, mas ele pode ser um dos principais sinais de distúrbios respiratórios do sono. Quando o ronco é frequente, ele nunca deve ser ignorado”, alerta o pneumologista Dr. Geraldo Lorenzi Filho, diretor médico da Biologix.
Segundo ele, o sintoma costuma estar associado ao aumento das amígdalas e adenoides, alergias respiratórias ou até à obesidade infantil. Quando não é identificada e tratada, a apneia pode afetar diferentes aspectos da saúde e do desenvolvimento da criança.
Sinais de alerta no sono das crianças
O ronco frequente e alto costuma ser o primeiro alerta. Outros sinais que merecem atenção incluem:
- pausas na respiração durante o sono;
- sono muito agitado ou despertares frequentes;
- respiração pela boca durante o dia;
- cansaço excessivo ou sonolência durante o dia;
- dificuldade de concentração, irritabilidade e hiperatividade.
“Em alguns casos, os impactos também aparecem no desempenho escolar ou no comportamento. Isso acontece porque a fragmentação do sono interfere em funções importantes do cérebro, como memória, atenção e regulação emocional”, afirma o Dr. Lorenzi Filho.
Como é feito o diagnóstico e tratamento
A investigação começa com avaliação clínica feita por pediatra ou otorrinolaringologista.
“O exame considerado padrão-ouro para confirmação é a polissonografia. Ele é realizado durante o sono e monitora parâmetros como respiração, níveis de oxigênio no sangue e atividade cerebral ao longo da noite”, explica.
O tratamento varia de acordo com a origem do problema e a intensidade dos sintomas. Em muitas crianças, a abordagem envolve cirurgia para retirada das adenoides e/ou das amígdalas. Em outros casos, o tratamento pode incluir:
- controle de alergias respiratórias;
- perda de peso, quando há obesidade;
- uso de aparelhos intraorais em situações específicas;
- CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), indicado em quadros mais graves.
De acordo com o especialista, acompanhamento multidisciplinar, com pediatra, otorrinolaringologista e odontopediatra, é fundamental para definir a melhor abordagem. “Identificar o problema precocemente melhora não apenas a qualidade do sono, mas também o desenvolvimento e o bem-estar da criança”, complementa.
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